O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, articulou – em parceria com outros chefes dos executivos estaduais e a organização não governamental Centro Brasil no Clima (CBC) – uma Carta para o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
Denominado “Governadores Pelo Clima”, o documento diz respeito a criação de parcerias para desenvolver a economia verde no continente, bem como a sustentabilidade ambiental e climática e a redução das desigualdades.
“Os governadores precisam compensar com ações em seus Estados por conta da posição negacionista do Governo Federal. Temos motivação pela necessidade de sobrevivência, e ainda mais, por conta da posição do Governo Federal, de construir um plano. No Espírito Santo, desde meu primeiro governo, temos programas importantes e que se destacam na área ambiental, inclusive, com a participação de empresas, instituições públicas e da sociedade civil. É fundamental trabalharmos na direção da proteção ambiental, criando estratégias sustentáveis, investindo em energias renováveis e preparando o mundo para as próximas gerações”, destacou Casagrande, cofundador do projeto.
Até o momento, 22 estados do país aderiram a iniciativa. São eles: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo e Tocantins. Os governadores de Santa Catarina, Paraná, Distrito Federal, Roraima e Rondônia ainda não assinaram a carta.
Entenda a proposta
Desde o início de seu mandado, o presidente americano Joe Biden, vem implementando políticas ambientais nos Estados Unidos diante da crise climática que o país enfrenta. Dentre as ações, já somam a desautorização para perfurar o petróleo e gás no território, eliminação de subsídios aos combustíveis fósseis e a transformação da frota de carros e caminhões do governo em veículos elétricos.
Preocupados com o futuro do Brasil, governadores tomaram a iniciativa de solicitar apoio ao país americano no combate ao desequilíbrio ambiental nas américas.
Em suma, a proposta se resume em quatro etapas:
- A criação da “maior economia de descarbonização do mundo” entre os Estados Unidos e o Brasil, integrando a maior capacidade de investimentos do planeta, representada pela economia americana, com a maior base florestal da Terra (somando Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica, Caatinga e Pampa), criando referências práticas para a regulamentação do artigo 6 do Acordo de Paris, a partir de créditos de descarbonização (CBIOs) e créditos de carbono, acelerando a transição da economia mundial para um modelo carbono neutro;
- Desenvolvimento de Planos Integrados e programas de capacitação para que os recursos investidos no Brasil, com foco na regeneração florestal, impulsionem rapidamente e consolidem cadeias econômicas sustentáveis;
- Uso de mecanismos já disponíveis para aplicação segura e transparente dos recursos internacionais, garantindo resultados rápidos e descentralizados (fundos estaduais, integração com iniciativas não governamentais e novos arranjos institucionais com menos burocracia e maior impacto;
- Integração de todos os Biomas brasileiros no esforço de reflorestamento, regeneração ambiental e desenvolvimento socioeconômico regional, ampliando a ambição da NDC do Brasil, despertando nova cultura ecopolítica e criando oportunidades de um efetivo desenvolvimento inclusivo e sustentável em todos os Estados. O país pode ampliar o verde da Terra não apenas na Amazônia, mas também em biomas de grande capacidade de captura de carbono e inestimável biodiversidade, como o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga e o Pantanal – que perdeu grandes áreas em incêndios em 2020.






