27 de janeiro de 2026
terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Holanda proíbe trituração de pintinhos machos

A Holanda deu um passo significativo em direção ao bem-estar animal ao anunciar a proibição da trituração de pintinhos machos de raças poedeiras. A medida, que segue os passos de países como Alemanha e França, visa acabar com uma prática considerada cruel e desnecessária, responsável pela morte de milhões de animais recém-nascidos todos os anos. A iniciativa é resultado de um esforço conjunto entre o Ministério da Agricultura holandês, a indústria de ovos e a Sociedade Holandesa de Proteção aos Animais (De Dierenbescherming).

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Atualmente, pintinhos machos de raças poedeiras são descartados logo após o nascimento, já que não são considerados economicamente viáveis — não produzem ovos e não são adequados para a produção de carne. No entanto, com a nova política, a Holanda está dando um passo importante para garantir que esses animais tenham uma chance de vida. A ministra da Agricultura, Femke Marije Wiersma, destacou em uma carta ao parlamento que a indústria já está tecnicamente preparada para a transição, com a instalação de equipamentos de determinação de gênero em incubatórios.

Alternativas em discussão

A Holanda não é o primeiro país a buscar alternativas para o descarte de pintinhos machos. França e Alemanha já proibiram a prática, e a Suíça também vetou a maceração. Uma das soluções tecnológicas mais promissoras é a identificação do sexo do embrião ainda dentro do ovo, permitindo que os machos sejam descartados antes da eclosão. Empresas como a alemã Selectegg já comercializam ovos produzidos com essa tecnologia, batizados de “respecteggs”.

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Outra alternativa é a criação de raças de “dupla finalidade”, nas quais os galos são robustos o suficiente para serem criados para corte. No entanto, essa solução ainda enfrenta desafios, como o aumento dos custos de produção e a necessidade de programas de incentivo aos produtores. No Brasil, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que empresas de genética e avicultura estão buscando alternativas, mas o processo de implementação é lento e complexo.

Impacto econômico e social

A transição para métodos mais éticos na produção de ovos não é isenta de desafios. Um estudo da Wageningen Social & Economic Research estima que o custo de produção de ovos “Sem Matar Pintinhos Machos de um Dia” (ZED) aumentará em 0,015 euros por ovo. Esse aumento pode impactar o preço final para o consumidor, mas a expectativa é que a demanda por produtos mais éticos cresça à medida que a conscientização sobre o bem-estar animal se expande.

Na Holanda, a medida inicialmente se aplicará aos ovos vendidos nos mercados holandês e alemão, principais destinos das exportações do país. Ainda não está claro se a proibição se estenderá a outros mercados. Estima-se que a mudança evitará a morte de 6 a 7 milhões de pintinhos machos por ano.

O cenário no Brasil

No Brasil, a discussão sobre o descarte de pintinhos machos ainda está em estágios iniciais. A organização Animal Equality tem dois projetos de lei em tramitação para proibir a prática: PL 410/23 e PL 783/24, sendo que o segundo já foi aprovado pela Comissão do Meio Ambiente e Sustentabilidade. Apesar disso, a indústria avícola brasileira ainda depende fortemente da maceração, e a adoção de alternativas como a sexagem in ovo ou a criação de raças de dupla finalidade enfrenta obstáculos técnicos e econômicos.

A veterinária Fabiana Ferreira, professora de zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ressalta que, embora a maceração seja considerada ética pela legislação atual, é preciso buscar alternativas mais humanitárias. “Toda vida que vem ao mundo tem que ter qualidade, mesmo que por um dia”, afirma.

Um futuro mais ético

A iniciativa da Holanda é um marco importante na promoção do bem-estar animal na indústria de ovos e pode inspirar outros países a repensarem suas práticas. A pressão por métodos mais éticos na produção de alimentos tem crescido globalmente, impulsionada por consumidores cada vez mais conscientes e por organizações de defesa dos direitos animais.

Enquanto isso, no Brasil, a discussão sobre o descarte de pintinhos machos continua, com a esperança de que avanços tecnológicos e mudanças legislativas possam levar a uma indústria mais justa e compassiva.

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