A transformação da tecnologia e inovação em prosperidade é um tema de grande relevância no atual cenário econômico. Durante uma conferência na Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no Espírito Santo, o economista Giácomo Balbinotto Neto abordou a questão: “Tecnologia gera prosperidade?” Embora o desenvolvimento tecnológico seja um motor potencial para o crescimento econômico, ele não garante, por si só, a prosperidade.
A interação entre tecnologia e prosperidade tem sido um tema discutido por teóricos da economia ao longo dos últimos 200 anos. Figuras como Adam Smith, Karl Marx, John Maynard Keynes e Joseph Schumpeter exploraram essa relação em seus estudos, destacando suas implicações no desenvolvimento das sociedades. Mais recentemente, economistas contemporâneos como Robert Solow e Jean Tirole também se debruçaram sobre os efeitos práticos da tecnologia no bem-estar humano. O reconhecimento de Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson com o Prêmio Nobel de Economia, pelo seu trabalho sobre os fundamentos do poder e da prosperidade, reforça a importância desse debate.
Tecnologia e inovação têm um papel crucial no crescimento econômico, promovendo o enriquecimento de diversas nações. A inovação gera encadeamentos tecnológicos que não apenas estimulam o investimento em capital físico, como máquinas e equipamentos, mas também promovem o desenvolvimento de capital humano.
É importante destacar que a prosperidade não se resume ao crescimento econômico; ela abriga diversos aspectos do desenvolvimento político e social. Balbinotto observou que a prosperidade vai além da simples acumulação de riqueza e do aumento do Produto Interno Bruto (PIB). Embora a relação entre tecnologia e prosperidade tenha comprovações empíricas, os efeitos da inovação nem sempre são iguais.
Inovações podem, por um lado, promover um aumento na qualidade de vida, mas também trazer desafios como o desemprego estruturado e desigualdades sociais. A introdução de robôs, por exemplo, pode facilitar avanços na medicina, como cirurgias de precisão e melhorias em vacinas, mas também resulta na perda de empregos em várias esferas, contribuindo para a pobreza e a falta de oportunidades.
Um ambiente institucional favorável à inovação é essencial para transformar tecnologia em inclusão, conforme Balbinotto. Esse ambiente inclui a proteção dos direitos de propriedade intelectual, políticas de apoio à pesquisa e desenvolvimento, assim como o fomento a atividades inovadoras e a criação de universidades e agências de financiamento.
Conclui-se que a prosperidade tecnológica não surge de forma automática; é necessário um esforço consciente por meio de incentivos adequados. Caso contrário, a inovação pode acentuar desigualdades e deteriorar as condições dos trabalhadores. A vice-presidente da SBPC, Francilene Garcia, enfatizou que a tecnologia precisa ser inclusiva e acessível para gerar prosperidade genuína, exigindo uma mobilização do Estado em favor de uma abordagem mais equitativa.






