Neste domingo (2), ocorre a 97ª edição do Oscar, a principal premiação do cinema mundial. O Brasil está representado pelo filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, que disputa três estatuetas: Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz (Fernanda Torres) e Melhor Filme.
A participação deste longa-metragem reacende uma polêmica antiga, relacionada à obra “Cidade de Deus”. Lançado em 2002 e dirigido por Fernando Meirelles, “Cidade de Deus” não recebeu indicação no Oscar de 2003 devido a um boicote por parte de alguns membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas durante a exibição do filme.
Impacto do boicote em “Cidade de Deus”
Os avaliadores, conforme as regras, deveriam assistir ao filme para que ele fosse considerado na categoria de Melhor Filme Internacional. Contudo, parte dos jurados abandonou a sessão, o que gerou desconfiança. Essa evasão em grupo, conforme relata o crítico Waldemar Dalenogare Neto, foi uma tentativa de diminuir a nota do filme. Segundo um membro da comissão da época, a avaliação do longa caiu de 10 para 6 após a sessão, inviabilizando sua indicação. O alto grau de violência apresentado incomodou votantes mais conservadores, que o consideraram exagerado e desnecessário.
Após a sua estreia internacional em janeiro de 2003, “Cidade de Deus” tornou-se elegível para o Oscar do ano seguinte. Em 2004, obteve quatro indicações: Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia. Apesar de todo esse reconhecimento, a falta de uma indicação na disputa por Melhor Filme Internacional levantou questões sobre a imparcialidade do processo de seleção.
Mudanças nas regras da premiação
Em resposta à repercussão negativa causada pela exclusão, a Academia decidiu rever suas normas para prevenir que casos semelhantes ocorressem. Em 2005, foi realizado um estudo para analisar as falhas no processo de indicações. O objetivo era evitar que filmes aclamados fossem excluídos por manipulações internas. Como resultado, a Academia introduziu a pré-lista de indicados em 2007, permitindo que obras prestigiadas tivessem mais oportunidades de serem consideradas.
Essa nova regra também contribuiu para uma menor predominância europeia nos indicados de Melhor Filme Internacional. Anteriormente, a maioria dos filmes era da Europa e dos EUA. Com as mudanças, os membros da Academia passaram a sugerir obras de outros países, mesmo aquelas que não obtiveram as classificações mais altas inicialmente. Isso abriu portas para uma maior diversidade na premiação.
Duas décadas após o ocorrido com “Cidade de Deus”, o Brasil volta a ter uma representatividade significativa na premiação com “Ainda Estou Aqui”. As expectativas são altas para que o filme tenha uma trajetória mais justa na disputa pelo prestigiado prêmio do cinema.






