A tecnologia e a inovação desempenham papéis essenciais no desenvolvimento econômico, mas a relação entre esses fatores e a prosperidade não é automática. Durante a Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o economista Giácomo Balbinotto Neto abordou a questão “Tecnologia gera prosperidade?” em uma das conferências do evento. Professor associado do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS, Balbinotto destacou que, embora a tecnologia possa impulsionar o crescimento econômico, os benefícios não são distribuídos uniformemente.
A conexão entre inovação e prosperidade foi discutida ao longo da história por renomados economistas, incluindo Adam Smith e Joseph Schumpeter. Recentemente, a investigação do impacto da tecnologia e da inovação no bem-estar foi aprofundada por economistas contemporâneos, que se tornaram conhecidos por suas análises e publicações relevantes, como o Prêmio Nobel de Economia conquistado por Daron Acemoglu e colegas em 2022.
Balbinotto ressaltou que a tecnologia possui um papel central no crescimento econômico, servindo como motor para o enriquecimento de nações. A inovação gera efeitos encadeados que não apenas aumentam as oportunidades de investimento em infraestrutura, mas também expandem o potencial humano. Entretanto, a prosperidade vai além do crescimento econômico, envolvendo dimensões políticas e sociais. O palestrante enfatizou que prosperidade não deve ser confundida apenas com acumulação de riqueza ou aumento do PIB.
A análise empírica das evidências mostra que os impactos da tecnologia na prosperidade variam. Enquanto algumas inovações podem elevar a qualidade de vida, elas também podem acarretar problemas como o desemprego estrutural e o aumento das desigualdades sociais. Por exemplo, embora robôs avancem na medicina e aprimorem a eficiência, também podem levar à eliminação de empregos, exacerbando a pobreza.
Para que a inovação contribua de fato para uma prosperidade inclusiva, Balbinotto apontou a importância de um ambiente institucional que favoreça a inovação, incluindo proteção da propriedade intelectual, apoio a pesquisas e desenvolvimento, e a criação de centros educacionais e de financiamento. A prosperidade tecnológica deve ser uma meta a ser cultivada, e não um resultado automático.
A vice-presidente da SBPC, Francilene Garcia, complementou a discussão ao afirmar que a tecnologia não gera prosperidade de forma automática. É necessária uma mobilização do estado para garantir que a tecnologia seja acessível e inclusiva para todos, enfatizando que somente assim se pode transformar inovação em prosperidade real.
Para mais informações detalhadas sobre o evento e as reflexões apresentadas, a conferência “Tecnologia gera prosperidade?” está disponível na íntegra no canal da SBPC no Youtube.






