O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, atribui a recente confusão em torno do IOF a uma disputa interna no governo federal. Essa tensão ocorre entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e membros da ala política, em um momento crucial para a administração de Lula.
Internamente, um grupo do Palácio busca estratégias que favoreçam a reeleição do presidente em 2024, enquanto Haddad tenta estabilizar o frágil arcabouço fiscal do país. Essa dinâmica tem gerado desafios significativos, conforme destaca Vale.
Dilema do governo
Atualmente, o governo enfrenta um verdadeiro dilema: é imperativo organizar as finanças públicas, mas também é fundamental garantir a popularidade do presidente. “O governo experimentará essa tensão ao longo do próximo ano e meio”, analisa o economista.
Apesar de um crescimento expressivo no ano passado, com a taxa de desemprego em queda e a inflação sob controle, a popularidade de Lula não reflete esses avanços. Vale observa que, em teoria, esses indicadores deveriam resultar em uma aceitação maior do governo.
Decisão controvertida sobre o IOF
Vale critica a maneira como a decisão sobre o IOF foi implementada, afirmando que foi uma escolha apressada e mal elaborada. Isso levou o governo a ter que recuar, algo que se tornou comum em outros episódios.
O economista explica que o governo frequentemente toma medidas que geram descontentamento no mercado, muitas vezes pela falta de sensibilidade econômica. Na recente questão do IOF, o mercado reagiu de forma negativa, interpretando a mudança como um sinal de controle de capitais, o que gerou desconfiança.
Após reconhecer o erro, o governo optou por focar em instrumentos internos para mitigar a percepção negativa. Vale destaca que esse tipo de situação não é inédita; já houve outros casos, como a polêmica envolvendo o Pix, onde a administração precisou voltar atrás. Essa falta de coesão nas decisões reflete posições divergentes entre o Ministério da Fazenda e a Casa Civil, resultando em um governo sem uma linha clara de atuação.







