O Brasil se destaca na América Latina com um crescimento econômico robusto, conforme aponta o Banco de Compensações Internacionais (BIS) em seu relatório anual. Embora a região apresente um desempenho econômico moderado em 2024, o Brasil se beneficia de uma forte demanda interna, impulsionada por um mercado de trabalho dinâmico e transferências fiscais eficazes. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou um crescimento de 1,4% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Crescimento acompanhado de desafios
Apesar do crescimento, a questão da inflação é um ponto crítico. O BIS observa que, enquanto a inflação global apresenta sinais de desaceleração, algumas economias da América Latina, incluindo Brasil, Chile e Colômbia, enfrentam dificuldades nesse aspecto. Fatores como a alta demanda privada e ajustes em preços regulados estão contribuindo para a pressão inflacionária.
O Banco Central do Brasil, em resposta ao crescente desvio das expectativas inflacionárias, implementou um aumento nas taxas de juros. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica subiu de 14,75% para 15% ao ano. A expectativa é que essa taxa seja mantida até o final do ano, com cortes potenciais somente em 2026, conforme as projeções do boletim Focus.
Expectativas de inflação e comportamentos das famílias
A ansiedade em torno da inflação transcende fronteiras, afetando tanto países ricos quanto economias emergentes. Uma pesquisa do BIS revela que a expectativa média de inflação entre os entrevistados em 29 economias é de cerca de 8%, bem acima da inflação atual de 2,4%. Tais expectativas influenciam o comportamento econômico, independentemente de sua precisão.
O BIS também constatou que o conhecimento sobre os bancos centrais está correlacionado com expectativas de inflação. Famílias que compreendem melhor o papel dessas instituições tendem a ter previsões mais baixas sobre a inflação futura.
Os impactos da política comercial dos EUA
Outra preocupação emergente abordada pelo BIS é o impacto da política comercial dos Estados Unidos, especialmente as tarifas impostas pela administração Trump. Essas medidas geraram uma incerteza significativa no cenário econômico global e podem dificultar o processo de desinflação em diversos países. O BIS ressalta a necessidade de vigilância constante em relação às expectativas inflacionárias e às suas implicações para a economia mundial.
Desafios fiscais e seu impacto
Em relação à administração fiscal, o BIS identifica uma tendência preocupante do aumento da dívida pública em diversos países, sugerindo que um ajuste fiscal é crucial para evitar consequências adversas para a economia. O relatório também observa que a situação no Oriente Médio, caracterizada por aumentos nos preços do petróleo, pode ter repercussões econômicas significativas.
A importância da independência dos bancos centrais
Agustín Carstens, gerente-geral do BIS, destaca a relevância da independência dos bancos centrais em meio a pressões políticas. A autonomia dos bancos centrais é essencial para manter a estabilidade econômica e da inflação, uma vez que intervenções políticas podem ter efeitos duradouros e prejudiciais.
O aumento do uso de instrumentos financeiros
Em termos de instrumentos financeiros, o mercado de swap cambial alcançou US$ 111 trilhões, refletindo um crescimento significativo. O BIS argumenta a favor de uma regulamentação mais robusta para instituições financeiras, buscando uma abordagem que assegure equidade no tratamento de riscos.
Desvalorização do dólar e suas implicações
O BIS observa que a desvalorização do dólar não deve ser considerada uma preocupação imediata. Em muitos casos, um dólar mais fraco pode resultar em uma maior disposição ao risco nos mercados, o que pode ter vantagens para a estabilidade financeira, especialmente em economias emergentes.
Condições financeiras globais cada vez mais interconectadas
Por fim, o relatório destaca que a interconexão dos mercados financeiros globais exige uma análise mais profunda das influências transfronteiriças. A sensibilidade crescente a fatores de risco globais torna essencial que os bancos centrais estejam cientes e preparados para as repercussões de decisões de políticas monetárias externas.







