Nesta terça-feira, o governo federal está em diálogo com setores da indústria e do agronegócio, tratando da tarifação de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Pela manhã, a reunião foi com representantes do setor industrial, enquanto à tarde será a vez do agronegócio. 
Durante o encontro matinal, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou a busca por uma negociação pacífica, evitando interferências nas competências de outras instituições da República, em resposta às críticas feitas por Trump sobre o STF.
Alckmin repreendeu as tarifas impostas pelo governo norte-americano e solicitou a colaboração ativa dos empresários brasileiros.
“É crucial a participação de todos, em suas respectivas áreas, para trabalharmos juntos. O governo brasileiro está comprometido em resolver essa situação e valoriza as sugestões de cada um”, enfatizou o vice-presidente.
Além disso, o governo planeja dialogar com empresas americanas envolvidas no comércio bilateral. Alckmin salientou que essa taxação aumenta custos e é prejudicial para as economias de ambos os países, sobretudo em setores de reciprocidade econômica, como o siderúrgico.
Comitê Interministerial
Essa iniciativa de diálogo com o setor privado é a primeira ação do novo Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais.
O comitê integra ministérios como o do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), da Fazenda, das Relações Exteriores e Casa Civil, além de outros participantes convidados.
Na segunda-feira, Alckmin ressaltou que o Brasil já havia iniciado comunicações e aguardava uma resposta dos EUA antes do anúncio das novas tarifas.
“Em 16 de maio, foi enviada uma proposta de negociação aos Estados Unidos, ainda não respondida, e até sexta-feira, antes do anúncio, estávamos em reuniões técnicas”.
Geraldo Alckmin sublinhou o esforço do governo em reverter a tarifa imposta pelo presidente Donald Trump.
“Estamos comprometidos em revisar esta imposição, que é inadequada. O Brasil não registra superávit com os EUA, ao contrário. Das dez principais exportações americanas, oito não têm tarifa. Assim, trabalharemos em conjunto com a iniciativa privada”.
O governo brasileiro está avaliando alternativas caso os Estados Unidos mantenham a taxação, prevista para vigorar a partir de 1º de agosto. A lei de reciprocidade econômica, sancionada neste ano, serve como referência para as ações do Brasil, cuja regulamentação foi publicada nesta terça-feira.







