O Banco Central (BC) destacou a necessidade de cautela na política tarifária, particularmente em relação aos impactos da elevação das tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre economias emergentes. Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na última terça-feira, foi sinalizada a continuidade da manutenção da taxa básica de juros em um nível elevado por um período prolongado.
Segundo o Copom, o aumento nas tarifas dos Estados Unidos em relação ao Brasil tem efeitos significativos em certos setores, com impactos globais ainda incertos, dependendo dos rumos das negociações e da percepção de risco envolvida.
Decisões Recentes do Copom
Na reunião mais recente, foi decidido que a taxa Selic permanecerá em 15% ao ano, uma estratégia considerada coerente com a busca pela convergência da inflação para a meta. No entanto, o Copom destacou que poderá ajustar a política monetária no futuro, se necessário, para retomar o ciclo de ajuste.
A persistência dos núcleos de inflação acima do nível compatível com a meta continua a evidenciar uma inflação pressionada por fatores de demanda, o que justifica a política monetária restritiva por tempo prolongado.
Expectativas de Inflação
A ata evidencia que as expectativas de inflação para 2025 e 2026 seguem acima da meta, conforme apurado pela pesquisa Focus. Em 2023, a meta é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Essas expectativas, coletadas de diversos instrumentos e grupos, permanecem acima da meta em todos os horizontes. Porém, dados recentes indicaram uma redução nas expectativas para horizontes mais curtos, enquanto as expectativas de longo prazo não sofreram mudanças significativas.
Cenário Econômico Doméstico
No cenário interno, a atividade econômica mostra sinais de moderação no crescimento, conforme previsto pelo Copom, embora o mercado de trabalho ainda demonstre vigor.
O mercado de crédito, por outro lado, tem mostrado uma moderação mais clara, com uma redução nas concessões de crédito livre e aumento nas taxas de juros e inadimplência.
No crédito pessoal, há um aumento no comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida, com os indivíduos pagando mais do que contraindo novas dívidas.
Medidas recentes, como o crédito consignado privado, não surtiram o impacto esperado em muitos segmentos do mercado.







