22 de janeiro de 2026
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Degrau por degrau: A Alma do Centro

Imagine subir uma escadaria tão extensa que se, em vez de degraus, fossem quilômetros retos, você chegaria até Domingos Martins. Pois é a verdade, o Centro de Vitória, reúne cerca de 54 km de escadarias e rampas que cortam morros e ligam Cidade Alta e Cidade Baixa.

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Se isso não já dá vontade de colocar tênis e treinar para uma subida digna de “Rocky capixaba”, aguarde: vamos descobrir como esses degraus moldaram a cidade, conectaram histórico e “influenciaram o rolê” local. E como diria o humorista Chico Anysio: “subir escada é tipo meta de vida: degrau depois de degrau, a vista chega”. Só que aqui a vista já está e o degrau faz parte da história.

Para entender as escadarias, precisamos entender o terreno. A maioria de Vitória está numa ilha, e cerca de 40% do território é morro. Esse relevo exigiu soluções urbanísticas que são, digamos, acrobáticas. No bairro histórico que chamamos de Centro, há a Cidade Alta e a Cidade Baixa, o morro virou desafio e também oportunidade de memórias.

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Escadaria Maria Ortiz no ano de 1925 | Foto Divulgação

Originalmente conhecida como Ladeira do Pelourinho, a história da Escadaria Maria Ortiz, se iniciou em 10 de março de 1625, quando os holandeses tentaram invadir a ilha de Vitória. A jovem Maria Ortiz jogou água fervente dos seus degraus da história e frustrou o ataque dos invasores. Resultado: símbolo de resistência capixaba. Depois, em 1924, o engenheiro Henrique Novaes projetou a escadaria Maria Ortiz que temos hoje.

A Escadaria São Diogo, inicialmente chamada de Ladeira da Pedra, por ter a escada esculpida diretamente na pedra bruta, localizada no local do antigo Forte São Diogo, ligando Praça Costa Pereira (Cidade Baixa) à Cidade Alta. Em 1942 foi construída no estilo eclético.

Escadaria Djanira Lima construída em 1929 pelo engenheiro Moacyr Avidos. Ligava a Av. Jerônimo Monteiro à Rua Wilson de Freitas. Em 2024 foi tombada como patrimônio histórico municipal.
A escadaria Acyr Guimarães dá acesso à rua Antônio Aguirre.
A Escadaria do Rosário, fica junto a Igreja Nossa Senhora do Rosário, foi construída no ano de 1765, e tombada pelo Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, em julho de 1946. A igreja desempenhava um papel social com arrecadação de fundos para compra de alforria de escravizados e sepultamento para os negros.

Claro que história não basta: tem que servir ao presente. O Programa Escada Acessível da prefeitura investiu cerca de R$ 60,7 milhões em escadarias (612 unidades, 54 km) para mobilidade e acessibilidade.

Reforma da Escadaria Maria Ortiz | Foto: Marcos Salles / Reprodução: Prefeitura de Vitória

Depois de décadas sem uma ação desse porte, a Prefeitura de Vitória iniciou um amplo projeto de recuperação e modernização das escadarias. O trabalho foi além da simples troca de degraus: algumas escadarias receberam novos corrimãos e outras tiveram suas redes de esgoto e drenagem de águas pluviais refeitas. Assim, o projeto não só melhora a mobilidade dos pedestres, como também reforça o saneamento básico da cidade. Essa iniciativa integra o Plano Vitória – Planejamento Estratégico 2021–2024, dentro do eixo Urbanização, que tem como objetivo qualificar espaços públicos e equipamentos urbanos, com prioridade para as regiões que mais precisam de infraestrutura.

Além da mobilidade, há a arte no percurso, por exemplo no Centro o projeto “Cores Comunidades” interveio nas escadarias Santa Clara e Morro do Moscoso com murais que retratam lavadeiras, sapateiro, comunidade e samba, entre abril e julho deste ano (2025). Ou seja: escadas = mobilidade + identidade + estética urbana.

 

Mural da Escadaria Santa Clara | Foto/Divulgação: Secult

Os muros laterais da escadaria do morro do Moscoso, ganharam cores que retratam o samba e a primeira fonte que abastecia a região e as primeiras lavadeiras da comunidade.

O mural da Escadaria Santa Clara também contou com a participação da comunidade local, que transformaram o espaço num grande jardim de Santa Clara, com paredes repletas de pássaros e flores, além da figura de Santa Clara e uma mensagem: “Devo florir onde o Senhor me plantar”.

Bom, aqui fazemos viajamos degrau a degrau na história do nosso Centro. E vale a pena. E mesmo que a juventude pense que essa informação não agrega em nada, pode se dizer que é um cenário para fotos e stories, mobilidade sustentável (ir a pé, subir, enxergar a cidade de outro ângulo, dá musculatura e vista bonita), reapropriação do espaço público (cidade boa não é só modernidade, mas, é alma, passado e pluralidade).

E, sim, dar uma olhada nessas escadarias ajuda a entender como a capital capixaba se transformou. Em vez de “só praia”, temos morro, escada, história colonial, modernização republicana.

Degrau por degrau, o Centro de Vitória se revela. Perguntar-se “por que subir isso?” menos importa do que responder “o que vejo quando chego lá em cima?” Em vez de virar apenas vista para o mar, a cidade oferece vista para sua própria história. Cada degrau da cidade eleva-nos não só fisicamente, mas culturalmente.

Se você caminhar por essas escadarias, pare, respire, olhe os murais, sinta o concreto, o corrimão novo, o passado que não se esconde. E então: monte o story, marque o @ocentrotemsovem , convide amigos para subir com você. Afinal, subir nunca foi só exercício físico: é aula de história, é olhar diferente, é escada que liga passado, presente e futuro.

 

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Daniel Bones
Daniel Bones
Sou o "Severino do Audiovisual Capixaba", já atuei em diversas áreas como fotografia, edição, sou ator, compositor, produtor e diretor de filmes e TV. Gosto de contar histórias. Ponto Final. (...) Aqui, minha coluna é cultural, mas vive com uma dor postural. Eventos, Arte, Cultura, Cinema e Teatro são comigo aqui! Se quiser, siga essa doideira ai!

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