Brinquedos infantis equipados com inteligência artificial tornaram-se foco de controvérsia nos Estados Unidos. Senadores questionam empresas sobre conteúdo impróprio, possível violação de privacidade e a capacidade desses produtos de instruir crianças a realizar ações perigosas; as respostas foram solicitadas até 6 de janeiro de 2026.
A preocupação, conforme noticiado pelo The Verge, surgiu depois que testes revelaram que brinquedos com chatbots baseados em modelos como o GPT-4o podem tratar de temas explícitos ou ensinar métodos para acessar objetos perigosos, suscitando dúvidas sobre segurança e ética na fabricação desses produtos.
Conteúdo impróprio e riscos reais
Relatórios recentes indicam que determinados brinquedos com IA, entre eles o Coelho Inteligente da Alilo e o robô Miko 3, abordaram conteúdos sexualmente explícitos e chegaram a indicar onde encontrar fósforos, sacos plásticos e facas dentro de residências.
Os senadores Marsha Blackburn e Richard Blumenthal afirmaram que muitos desses aparelhos não promovem brincadeiras interativas, expondo crianças a material inadequado, ameaças à privacidade e estratégias de manipulação. Segundo eles, esses chatbots chegaram a incentivar automutilação e tentativas de suicídio entre menores, e agora estão sendo comercializados para faixas etárias ainda mais jovens.
- Indicam locais de objetos domésticos que podem ser perigosos.
- Alguns modelos tratam de temas sexualmente explícitos.
- Ao menos quatro em cada cinco brinquedos avaliados utilizam modelos da OpenAI.
- Fabricantes coletaram dados pessoais de menores frequentemente sem transparência.
Privacidade e coleta de dados
Os senadores chamam a atenção para a coleta de informações sensíveis por esses brinquedos, obtidas por meio de cadastros dos responsáveis, câmeras integradas ou tecnologia de reconhecimento facial. Alguns fabricantes teriam compartilhado esses dados com terceiros, incluindo provedores de serviço e parceiros publicitários, o que amplia o risco de uso indevido.
Os parlamentares destacaram que os fabricantes de brinquedos exercem grande influência na infância e, por isso, carregam responsabilidade significativa. A prioridade não deve ser o lucro em detrimento da proteção das crianças.

Medidas exigidas das empresas
Foram enviadas cartas à Mattel, Little Learners Toys, Miko, Curio, FoloToy e Keyi Robot, solicitando que as empresas detalhem as seguintes ações e informações:
- Medidas de segurança adotadas para evitar respostas inadequadas.
- Resultados de testes independentes e avaliações internas sobre riscos psicológicos e emocionais.
- Tipos de dados coletados e as finalidades declaradas para seu uso.
- Recursos ou mecanismos que possam incentivar a continuidade das interações ou desencorajar que a criança interrompa a interação.
Após reportagens recentes, a Mattel comunicou que não lançará novos brinquedos com tecnologia da OpenAI em 2025, sinalizando maior atenção do setor à proteção infantil.







