Projeto “A Cara de Vitória” transforma muros em retratos vivos da memória, da arte e do orgulho capixaba
Vitória anda se olhando no espelho e gostando do que vê. Nos últimos meses de 2025, quem caminha pela cidade percebe que os muros deixaram de ser apenas concreto e passaram a devolver olhares, histórias e sorrisos. Nada de filtro, só identidade. O projeto “A Cara de Vitória”, da Secretaria Municipal de Cultura, chega como quem diz [somos muitos e seguimos aqui], misturando arte urbana, afeto coletivo e memória viva. E olha que nem precisa entender de grafite para sentir o impacto. Basta passar.
Desde novembro, oito grandes intervenções em grafite e pintura mural tomam escolas, praças e equipamentos culturais, criando verdadeiras galerias a céu aberto. Ao todo, são 16 rostos pintados, unindo personagens históricos dos bairros a nomes que projetaram o Espírito Santo para o Brasil e o mundo. É o cotidiano dando as mãos ao extraordinário, sem pose e sem pedestal.
Segundo o secretário municipal de Cultura, Edu Henning, a proposta é simples e poderosa. “Vitória é feita de muitas vozes, cores e trajetórias. A Cara de Vitória é um gesto de gratidão e pertencimento. Queremos que as pessoas se reconheçam nessas paredes e entendam que também fazem parte dessa história”, afirma. E faz sentido. Afinal, arte que não encontra gente vira só tinta cara.
Em Bento Ferreira, no muro do clube Álvares Cabral, Nicholas Marcos Duarte do Nascimento, conhecido como Nico Duarte, retrata o guia turístico e profundo conhecedor do Morro de Jesus de Nazareth, Fernando Martins Ribeiro, junto do renomado ex-jogador brasileiro de futebol de areia, nascido em Vitória, eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 2007, Buru.
No Centro, na Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES), Starley Bonfim une o carisma de Kleber Simpatia, puxador de samba e figura importante das manifestações carnavalescas do bairro, à trajetória marcante do sambista Edson “Papo Furado”, um dos fundadores da Escola de Samba Unidos da Piedade em 1955. Inclusive, a Escola o homenageará no Sambão do Povo no Desfile de 2026.
Muros que falam alto
Selecionados por edital do FunCultura, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, os artistas mergulharam nos territórios antes de pintar. Conversaram com moradores, pesquisaram referências e desenharam histórias que unem passado, presente e futuro. De parteiras a sambistas, de atletas olímpicos a líderes comunitários, os painéis revelam uma Vitória plural, orgulhosa e cheia de sotaque.
Roberto Menescal divide parede com fundador de bairro. Nara Leão reaparece ao lado de morador histórico. Esquiva Falcão, Anderson Varejão e Geovani Silva conversam com nomes que talvez nunca tenham saído do bairro, mas nunca saíram da memória. É como um álbum de família em tamanho gigante, sem mofo e com muita cor.
Quando a cidade vira palco
Mais do que embelezar, o projeto propõe reflexão. Quem são nossos heróis? Quem constrói a cidade todos os dias sem aparecer na capa? Ao ocupar o espaço urbano com essas narrativas, Vitória reafirma a arte como ferramenta de educação, identidade e encontro. Um mural não resolve tudo, mas abre conversa. E conversa boa já é meio caminho andado.
No fim das contas, “A Cara de Vitória” mostra que cultura não é luxo, é espelho. E quando a cidade se reconhece, anda mais confiante, rimando passado com futuro, sem perder o compasso.
Fonte: Prefetura de Vitória







