20 de janeiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Bancos preveem desaceleração gradual do crédito e corte da Selic em março

A maior parte das instituições financeiras projeta que o volume total de crédito em 2025 termine o ano com uma expansão de 9,2%, desacelerando de modo suave em 2026, quando deve atingir 8,2%. Essa previsão está alinhada com os dados recentes do setor, cujo aumento anual do saldo agregado continua em patamar elevado, mesmo com os juros básicos em alta. As informações constam da Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban, que consultou 20 instituições entre 17 e 19 de dezembro.

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A estimativa para 2025 era de um avanço de 8,9%. A projeção atual de 9,2% reflete uma visão mais otimista para o crédito direcionado, cuja expectativa passou de 10,1% para 10,9%.

Esse comportamento é atribuído ao crédito para empresas, cuja projeção saltou para 15,3%, ante os 13,6% da pesquisa passada – um sinal de que a expansão permanece forte, apoiada por programas oficiais.

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Quanto ao saldo de crédito em 2025, a previsão de crescimento para a carteira direcionada às famílias também foi revisada para cima, de 8,4% para 8,7%, refletindo a força do crédito imobiliário, que compensa a dinâmica mais fraca do crédito rural.

Na carteira livre, considerando o saldo estimado para 2025, a expectativa de expansão recuou levemente, de 8,1% para 8,0%, conforme a federação bancária. A revisão para baixo decorre da menor expansão esperada para a carteira de empresas, que caiu de 5,1% para 3,6%, devido a condições financeiras mais restritivas, aumento do IOF e da concorrência com operações direcionadas e o mercado de capitais.

Por outro lado, a projeção de crescimento da carteira livre para pessoas físicas avançou de 10,3% para 11,0%, em virtude do bom desempenho ao longo de 2025, ainda que com uma composição menos favorável – marcada pelo aumento das linhas rotativas.

Para 2026, uma parte significativa dos analistas (73,7%) acredita que o saldo total deve perder fôlego, porém de maneira gradual. Além disso, 15,8% dos participantes esperam que o crédito mantenha o atual ritmo de expansão no próximo ano. Com isso, o levantamento também registrou um aumento na projeção de crescimento do saldo total de crédito, que subiu de 7,9% para 8,2%, com melhora tanto na carteira livre (de 7,4% para 7,6%) quanto na direcionada (de 9,0% para 9,4%).

Segundo Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, a elevação das projeções para 2026 está em sintonia com os dados recentes, que mostram que 2025 foi caracterizado por uma moderação suave do mercado, mantendo um crescimento relativamente robusto mesmo diante do patamar elevado da taxa Selic. “Este crescimento foi sustentado pelos programas governamentais para as MPMEs e pelas linhas de consumo para as famílias”, avaliou o diretor em nota.

“Para 2026, a expectativa é que essa desaceleração gradual prossiga ao longo do ano, resultando em um crescimento de 8,2%, com o movimento sendo liderado pela carteira direcionada para empresas, considerando a elevada base de comparação deste segmento, que deve encerrar 2025 com alta superior a 15%”, complementou Sardenberg.

Taxa Selic

O levantamento, conduzido sempre após a publicação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), também indica que a maioria dos bancos (70%) acredita que o início do ciclo de redução da taxa Selic deve ocorrer somente na reunião de março. Dessa forma, a Selic deve permanecer em 15% ao ano no encontro de janeiro, com cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual a partir da segunda reunião do ano.

Inflação em 2026

A pesquisa ainda revela que, para metade dos participantes, a inflação em 2026 deve seguir alinhada ao consenso do mercado, ou seja, permanecendo acima da meta, em razão dos estímulos fiscais e de crédito. Em contrapartida, 35% projetam uma inflação abaixo do consenso, o que sugere uma continuidade da tendência de queda das previsões.

“A evolução recente do cenário econômico, somada à comunicação do BC, tem levado o mercado a convergir para uma expectativa de início do ciclo de corte da Selic a partir de março. A principal questão agora parece ser a velocidade com que o Copom conseguirá reduzir os juros ao longo do ano. Por ora, as expectativas ainda são conservadoras e apontam para uma trajetória moderada de cortes, apesar do alto nível da Selic”, avaliou Sardenberg.

Atividade econômica

Quanto à atividade econômica, a pesquisa capturou uma melhora no sentimento dos participantes para 2026. A porcentagem de analistas que projeta um crescimento de 1,8% para o ano subiu de 36,4% para 55%. Por outro lado, caiu de 45,5% para 30% a proporção daqueles que esperam um crescimento inferior ao projetado pelo consenso do mercado.

Apesar de nenhum participante esperar que o governo descumpra a meta fiscal de 2026, 80% acreditam que serão necessárias medidas adicionais para seu cumprimento, sendo que 45% esperam que a agenda seja focada em medidas do lado das despesas – como bloqueios e contingenciamentos, ou retirada de despesas do arcabouço fiscal.

Inadimplência

A trajetória da taxa de inadimplência segue como um ponto de atenção, de acordo com a pesquisa. A projeção do indicador para a carteira com recursos livres em 2025 manteve-se em 5,1%, enquanto para 2026 subiu para 5,2% (ante 5,1%). Esse patamar é ligeiramente inferior ao reportado pelo Banco Central para outubro, quando a taxa ficou em 5,3%.

EUA

Para os Estados Unidos, a maior parte (60%) dos bancos consultados espera que o Fed realize dois cortes de 0,25 ponto percentual nos Fed Funds em 2026, devido à moderação da atividade econômica e do mercado de trabalho do país, embora a inflação acima da meta não deva permitir um ciclo de afrouxamento tão agressivo.

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