20 de janeiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Serra registra queda nas exportações e déficit comercial em 2025

A cidade da Serra encerrou 2025 com uma retração nas transações internacionais e um saldo negativo na balança comercial. Esse resultado veio de um contexto global mais restritivo e da busca por novos mercados pelas exportadoras locais.

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Dados do Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que as vendas externas do município somaram US$ 1,9 bilhão de janeiro a dezembro de 2025. As compras do exterior, por sua vez, totalizaram US$ 2,4 bilhões, gerando um déficit de US$ 521,3 milhões no ano.

Esse desempenho ocorreu em um período marcado por barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que afetaram setores industriais importantes e exigiram ajustes logísticos e comerciais das empresas da região.

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Vale observar que a estrutura do comércio exterior da Serra reflete um modelo industrial que consome muita energia e depende de matérias-primas importadas, uma característica típica de polos metalúrgicos. Esse modelo, no entanto, enfrenta pressões crescentes devido às exigências de sustentabilidade no comércio global.

Queda superior a 13% nas exportações na comparação com 2024

Em relação a 2024, as exportações do município caíram 13,6%, enquanto as importações recuaram 13,2%. Apesar da retração em ambos os lados, o valor importado seguiu maior que o exportado, pressionando o saldo comercial.

No acumulado do ano, a corrente de comércio, que soma exportações e importações, chegou a US$ 4,2 bilhões, registrando uma diminuição de 13,4% na comparação anual.

Mesmo com o recuo, a Serra manteve uma posição relevante no estado:

  • Segundo maior exportador do Espírito Santo, com 17% das vendas externas estaduais;
  • Terceiro maior importador capixaba, concentrando 17,2% das compras internacionais do estado.

No cenário nacional, o município ficou na 36ª posição entre os exportadores brasileiros e na 28ª entre os importadores em 2025.

Instabilidade durante o ano

Os números mensais das exportações confirmam a volatilidade do comércio exterior da Serra em 2025. Os valores apresentaram oscilações significativas ao longo dos meses, sem uma tendência clara de alta ou baixa contínua.

O maior volume foi observado em dezembro, com US$ 226,4 milhões. O pior desempenho aconteceu em abril, quando o presidente Donald Trump anunciou sobretaxas para o Brasil: as vendas externas somaram apenas US$ 95,1 milhões, menos da metade do pico registrado no fim do ano.

Entre esses extremos, a performance variou de maneira irregular. Após um começo de ano relativamente forte, com US$ 181,8 milhões em janeiro, as exportações caíram nos meses seguintes, atingindo o ponto mais baixo em abril. A partir de maio, os valores voltaram a subir, com oscilações sucessivas, alcançando patamares acima de US$ 170 milhões em julho e setembro. Houve nova queda em outubro e novembro, seguida por uma forte recuperação em dezembro.

A grande diferença entre o menor e o maior valor mensal evidencia a instabilidade do fluxo exportador durante 2025, reflexo tanto de fatores conjunturais do mercado internacional quanto de ajustes na produção e no embarque das empresas locais.

MêsMunicípioValor (US$ FOB)Destaque
DezembroSerra – ESUS$ 226.492.721Máxima do ano
NovembroSerra – ESUS$ 120.862.832
OutubroSerra – ESUS$ 148.381.319
SetembroSerra – ESUS$ 187.738.225
AgostoSerra – ESUS$ 149.493.721
JulhoSerra – ESUS$ 172.984.965
JunhoSerra – ESUS$ 154.534.108
MaioSerra – ESUS$ 150.241.440
AbrilSerra – ESUS$ 95.104.707Mínima do ano
MarçoSerra – ESUS$ 138.008.763
FevereiroSerra – ESUS$ 129.330.053
JaneiroSerra – ESUS$ 181.821.553

Estados Unidos continuam sendo o principal destino

Apesar das incertezas nas relações comerciais, os Estados Unidos se mantiveram como o maior destino das exportações da Serra, representando 59,6% do total em 2025.

Essa concentração mostra a importância do mercado norte-americano para a indústria local, mas também revela a vulnerabilidade do município a mudanças na política comercial daquele país.

Além dos Estados Unidos, outros destinos com participação relevante foram:

  • Argentina (6,0%);
  • França (5,4%);
  • Reino Unido (3,5%);
  • Polônia (3,2%);
  • Itália (2,5%);
  • Canadá (3,5%);
  • China (1,3%).

Produtos siderúrgicos comandam as exportações

A lista de produtos exportados pela Serra em 2025 seguiu fortemente concentrada em itens de base industrial, especialmente os ligados à cadeia do aço.

Mantendo o padrão histórico, a pauta de exportação foi dominada por produtos semimanufaturados da cadeia siderúrgica, derivados do ferro-gusa produzido pela ArcelorMittal Tubarão. Produzido a partir do minério de ferro, o ferro-gusa é a etapa inicial da cadeia siderúrgica e a principal matéria-prima para a fabricação do aço.

Outros itens com participação significativa foram:

  • Outras ligas de aço semimanufaturadas (8,0%);
  • Produtos laminados de ferro ou aço;
  • Café (3,6%), que mantém relevância mesmo em um município de perfil majoritariamente industrial;
  • Pedras de cantaria e de construção (17,3%), segmento vinculado à extração e ao beneficiamento de rochas.

Compras externas avançam em insumos industriais e energia

No lado das importações, a Serra manteve um perfil fortemente industrial, com ênfase em insumos energéticos e produtos químicos.

O principal item importado em 2025 foi Hulhas, briquetes e combustíveis sólidos derivados do carvão, que corresponderam a 38,2% do total. Esses produtos são usados principalmente como combustível e insumo industrial, especialmente na siderurgia, onde o carvão mineral é essencial para produzir ferro-gusa.

Outros produtos em destaque incluem:

  • Adubos e fertilizantes minerais ou químicos, somando mais de 15% do total importado;
  • Produtos químicos industriais;
  • Máquinas, equipamentos e aparelhos elétricos;
  • Produtos minerais diversos.

A composição das importações demonstra claramente a dependência de insumos estratégicos para a indústria local, especialmente nos setores metalúrgico, siderúrgico e químico.

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