20 de janeiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Afastamentos por fadiga e estresse triplicaram

Uma pesquisa da VR, empresa especializada em soluções para o mercado de trabalho, revela que os afastamentos por fadiga, esgotamento e estresse triplicaram entre 2023 e 2025. Os dados mostram que os atestados por esses problemas de saúde mental, que representavam de 1,5% a 2,5% do total em 2023, passaram para 3% a 4% em 2024 e chegaram a 6% a 8% em 2025.

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Cássio Carvalho, diretor-executivo de Negócios da VR, destacou que a saúde mental deixou de ser vista apenas como uma questão de bem-estar e se tornou um elemento crucial para a sustentabilidade das organizações. Negligenciar essa realidade, segundo ele, significa aceitar riscos humanos, operacionais e financeiros em constante crescimento.

Para ele, um cuidado efetivo exige iniciativas organizadas, acompanhamento constante e políticas específicas. Carvalho ressaltou a importância de observar parâmetros da NR-1, como o controle de jornada e o registro de ponto, essenciais para identificar excessos, sobrecarga e ameaças psicossociais no trabalho, especialmente em um cenário de crescentes demandas e mudanças nas relações laborais.

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O estudo da VR analisou dados de mais de 30 mil empresas e aproximadamente 1,3 milhão de profissionais que usam seus serviços de RH Digital. A análise considerou atestados médicos apresentados via SuperApp VR para justificar a falta de registro de ponto.

Ao examinar os códigos CID (Classificação Internacional de Doenças) relevantes, verificou-se que parte do aumento nos afastamentos está ligada a condições como fadiga, estresse e esgotamento profissional.

Os números mostram que não houve uma simples troca de diagnósticos. Transtornos como ansiedade e depressão se mantiveram em níveis altos durante todo o período, indicando uma sobreposição de condições e um processo acumulativo de adoecimento, conforme evidenciado nos registros de afastamento das empresas clientes da VR na área de gestão de pessoas.

Episódios de ansiedade, em suas várias formas, continuaram sendo a causa de cerca de metade dos afastamentos no período estudado. Em 2023, correspondiam a 54% dos diagnósticos. No ano seguinte, variaram entre 51% e 52%. Em 2025, permaneceram na faixa de 48% a 50% dos casos.

Em seguida, vêm os transtornos depressivos, que abrangem desde graus leves até severos, responsáveis por 30% dos atestados ao longo do triênio. Já os afastamentos por transtornos mistos, que combinam ansiedade e depressão, cresceram de 14% em 2023 para 20% em 2024, com uma pequena redução em 2025, quando ficaram entre 17% e 18%.

Segundo a VR, a campanha do Janeiro Branco, que promove a conscientização sobre saúde mental, ganha ainda mais importância com a revisão da NR-1. A norma amplia a responsabilidade das organizações na detecção, análise e gestão de riscos psicossociais no local de trabalho.

A regra atualizada passa a obrigar as empresas a considerarem elementos como estresse ocupacional, carga excessiva de trabalho, assédio, cobrança por resultados e impactos emocionais da organização do trabalho, integrando esses fatores aos programas de prevenção e gerenciamento de riscos.

As organizações devem focar mais nos registros de afastamento, no acompanhamento constante de indicadores de saúde mental, na implementação de ações preventivas, na reavaliação de procedimentos e no treinamento de gestores. O prazo para adaptação é maio de 2026.

Os riscos da escala 6×1

Uma análise anterior da VR indicou que seus mais de 30 mil clientes corporativos que usam os serviços de RH Digital acumularam, até outubro de 2025, cerca de 136 milhões de horas extras, realizadas por mais de um milhão de empregados com carteira assinada.

A jornada de trabalho 6×1 é a que mais coloca as empresas em situação de risco. Os dados mostram que profissionais nesse regime correspondem a 29% dos casos de excesso moderado (de 44 a 54 horas semanais), 41,9% de excesso significativo (de 54 a 64 horas) e 19,6% de excesso extremo (acima de 64 horas).

Isso revela que as organizações que adotam o modelo com um único dia de folga concentram uma parte desproporcional da jornada extra, reforçando a necessidade da Gestão de Riscos Ocupacionais (GRO), um dos tópicos incluídos na atualização da NR-1.

“A gestão da jornada não deve ser vista como um custo operacional, mas como um indicador de desempenho positivo para o empregador”, afirmou Cássio Carvalho. “Quando a liderança entende isso, cria oportunidades para práticas automatizadas de escala e gestão, que economizam tempo dos profissionais de Recursos Humanos e ainda protegem tanto os colaboradores quanto os resultados financeiros”, completou o diretor-executivo.

Um cruzamento de informações feito pela VR também evidenciou uma ligação direta entre jornadas de trabalho intensivas e uma menor taxa de sobrevivência das empresas. Entre as que encerraram suas atividades, 42% tinham predominância de trabalhadores no regime 6×1 e um tempo de vida mais curto, com média de cinco anos. Por outro lado, entre as 33% que operavam na escala 5×2, a longevidade é maior, com média de sete anos.

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