Os protestos no Irã já deixaram mais de quinhentas mortes, segundo informações divulgadas por uma organização de direitos humanos no domingo, dia 11. Ao mesmo tempo, o governo iraniano emitiu um alerta sobre possíveis ataques a instalações militares norte-americanas, caso o presidente Donald Trump cumpra suas ameaças de intervir em apoio aos manifestantes.
Enquanto a estrutura clerical da República Islâmica enfrenta os maiores levantes desde 2022, Trump tem repetido a possibilidade de uma intervenção caso a força seja usada contra os protestos.
De acordo com os dados mais recentes da HRANA, um grupo de direitos humanos sediado nos Estados Unidos que coleta informações de ativistas dentro e fora do país, foram confirmadas 490 mortes entre os manifestantes e 48 entre as forças de segurança. Além disso, mais de 10.600 pessoas foram detidas durante duas semanas de agitação.
O Irã não divulgou um balanço oficial de vítimas fatais, e a agência de notícias Reuters não conseguiu confirmar esses números de forma independente.
O Wall Street Journal informou, no mesmo domingo, que Trump receberá um briefing de seus assessores na terça-feira sobre as alternativas em relação ao Irã. As opções incluem operações militares, o uso de armas cibernéticas secretas, a expansão de sanções e o fornecimento de suporte online a fontes opositoras ao regime.
Advertência iraniana
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou Washington para evitar um “erro de cálculo”.
“Que fique claro: em caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), assim como todas as bases e navios dos EUA, serão considerados alvos legítimos”, declarou Qalibaf, que é um ex-comandante da elite da Guarda Revolucionária.
Repressão se intensifica
Os protestos começaram em 28 de dezembro, inicialmente motivados pelo aumento de preços, mas rapidamente evoluíram para uma contestação mais ampla contra os governantes clericais no poder desde a Revolução Islâmica de 1979.
As autoridades iranianas atribuem a responsabilidade pelos distúrbios aos Estados Unidos e a Israel.
Em uma entrevista televisiva, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que Israel e os EUA estavam orquestrando ações de desestabilização. Segundo ele, os inimigos do país trouxeram “terroristas (…) que incendiaram mesquitas, atacaram bancos e propriedades públicas”.
“Famílias, eu lhes peço: não permitam que seus filhos se unam a desordeiros e terroristas que decapitam e matam pessoas”, disse Pezeshkian, acrescentando que o governo está disposto a ouvir a população e a buscar soluções para os problemas econômicos.







