20 de janeiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Brasil terá acesso a 36% do comércio global com acordo entre UE e Mercosul

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um estudo mostrando que o tratado comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) ampliará significativamente a participação brasileira no mercado mundial. Com o acordo em vigor, o acesso do Brasil saltará de 8% para 36% do comércio global de bens, impulsionado pelo peso da UE, que sozinha representou 28% das trocas internacionais em 2024.

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A pesquisa foi publicada no sábado (17), logo após a formalização do acordo por autoridades do bloco europeu e dos países do Mercosul, em um evento realizado em Assunção, no Paraguai. Para a entidade, a conclusão deste tratado representa uma mudança de rumo estratégica para a indústria nacional.

O estudo também revela que 54,3% dos produtos comercializados, o que equivale a mais de cinco mil itens, terão suas tarifas eliminadas na União Europeia assim que o acordo começar a valer. Do lado do Mercosul, o Brasil contará com prazos mais extensos, que variam de 10 a 15 anos, para reduzir as tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens), garantindo uma adaptação progressiva e com maior previsibilidade.

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“Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações brasileiras para a UE entrarão no bloco livres de impostos desde o primeiro dia de vigência. Em contrapartida, o Brasil se comprometeu a eliminar imediatamente as tarifas de apenas 15,1% das importações originárias da União Europeia, o que reforça uma assimetria vantajosa para o país”, analisa a CNI.

Após a assinatura, o documento ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais de cada país membro do Mercosul. A implementação da parte comercial do acordo depende dessa aprovação legislativa, com expectativa de uma aplicação faseada nos próximos anos.

Conforme a análise da entidade, o Brasil terá, em média, um prazo adicional de oito anos para se ajustar à redução tarifária, quando comparado ao cronograma do bloco europeu, considerando o comércio bilateral e o plano estabelecido no acordo. “A formalização do acordo é um momento histórico para o fortalecimento da indústria nacional, a diversificação dos produtos exportados e a integração do país ao comércio internacional”, afirma a CNI.

“Em negociação há mais de um quarto de século, este é o tratado mais moderno e abrangente já firmado pelo Mercosul. Ele vai além da simples diminuição de tarifas, incorporando regras que elevam a previsibilidade regulatória, diminuem custos e estabelecem um cenário mais propício para investimentos, inovação e geração de empregos”, avalia a organização.

Geração de empregos

De acordo com a CNI, em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado pelo Brasil para a UE foram gerados 21,8 mil postos de trabalho, com uma movimentação de R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

No segmento agroindustrial, o acordo também apresenta benefícios, pois as cotas negociadas beneficiam setores estratégicos. Para a carne bovina, por exemplo, as cotas são mais que o dobro das concedidas pela União Europeia a parceiros como o Canadá e superam em mais de quatro vezes as destinadas ao México. As cotas para arroz excedem o volume atualmente exportado pelo Brasil para o bloco, ampliando as possibilidades de entrada no mercado europeu.

Cooperação tecnológica

A assinatura do tratado também estabelece um ambiente propício para expandir projetos de pesquisa e desenvolvimento focados em sustentabilidade e inovação tecnológica, segundo a CNI. “As novas demandas regulatórias e de mercado abrem oportunidades em tecnologias para descarbonização industrial – como captura, uso e armazenamento de carbono, mineralização de CO₂, eletrificação com hidrogênio de baixa emissão, motores híbrido-flex e reciclagem de baterias e minerais críticos –, e no desenvolvimento de bioinsumos para uma agricultura mais resistente. A coordenação dessas áreas fortalece a cooperação em tecnologia, acelera a transição para uma economia de baixo carbono e aumenta a competitividade do Brasil no mercado europeu”, destaca a entidade.

Em 2024, a União Europeia recebeu US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o que corresponde a 14,3% do total exportado pelo país, mantendo-se como o segundo maior mercado externo do Brasil, atrás apenas da China. No mesmo período, o bloco foi origem de US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, representando 17,9% do total.

A esmagadora maioria (98,4%) das importações brasileiras vindas da Europa foi de produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações brasileiras para a UE consistiram em bens industriais. Considerando os insumos industriais, a participação no comércio em 2024 foi de 56,6% das importações originárias do bloco e de 34,2% das exportações do Brasil para a União Europeia, de acordo com a CNI.

“Essa complementaridade ajuda na modernização do parque industrial brasileiro, elevando a competitividade do setor. A UE também se destaca como o principal investidor no Brasil. Em 2023, o bloco foi responsável por 31,6% do estoque de investimento produtivo estrangeiro no país, totalizando US$ 321,4 bilhões. O Brasil foi o maior investidor latino-americano na União Europeia: o bloco foi destino de 63,9% dos investimentos brasileiros no exterior”.

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