20 de janeiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Quando o corpo diz “basta”, o lado obscuro da arquitetura

Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que “não tem tempo nem pra respirar”? No nosso meio — entre arquitetos, técnicos em edificações e pequenos empresários — essa frase virou quase um mantra. O problema é que, de tanto repeti-la, começamos a acreditar que viver assim é normal. Mas o corpo, sábio que é, sempre encontra um jeito de nos lembrar que não é.

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O ritmo de quem trabalha com projetos e obras costuma ser intenso. São prazos que correm, clientes que cobram, planilhas que não fecham, licenças que demoram. A criatividade precisa fluir mesmo quando a cabeça está cansada, e a produtividade é tratada como se fosse uma medida de valor pessoal. É nesse terreno fértil que brotam a ansiedade, o burnout e, em casos mais extremos, até paralisias faciais — sintomas físicos de um emocional sobrecarregado.

O curioso é que essas doenças não chegam de repente. Elas dão sinais: uma insônia aqui, uma falta de ar ali, uma irritação sem motivo. Mas a gente costuma ignorar, achando que é “fase”, “cansaço”, “coisa da cabeça”. Só que a cabeça é parte do corpo, e o corpo é quem paga a conta quando a vida se torna um canteiro de obras sem pausa.

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Para arquitetos e técnicos, que passam os dias transformando espaços, é contraditório perceber que muitas vezes esquecemos de projetar o nosso próprio bem-estar. Pequenos empresários vivem o mesmo dilema: é preciso manter o negócio em pé, mesmo quando as pernas já não aguentam. A linha entre o esforço saudável e o esgotamento é fina — e quase invisível quando se ama o que faz.

Mas há saídas. E elas começam com algo simples: parar um pouco. Respirar. Entender que o mundo não vai desmoronar porque você tirou um dia de descanso ou porque respondeu um e-mail amanhã. Cuidar de si não é luxo, é manutenção preventiva — igual àquela que a gente sempre recomenda, mas raramente aplica em casa.

Talvez seja hora de rever o que realmente significa “trabalhar bem”. Porque trabalhar bem não é apenas produzir muito. É conseguir continuar — com saúde, lucidez e alegria — aquilo que se escolheu fazer. E isso, no fim das contas, é o verdadeiro projeto de vida.

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Marcos Paulo Ribeiro
Marcos Paulo Ribeiro
Com 27 anos, é microempresário, CEO da Edificar Gestão em Projetos Civis, Técnico em Edificações (CRT-ES) e graduando em Arquitetura e Urbanismo. Com foco em temas como desenvolvimento urbano, arquitetura, projetos civis. Marcos busca trazer uma visão abrangente sobre o potencial transformador da arquitetura na vida das pessoas e na construção das cidades.

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