É impossível passar pela última semana em Vitória, no Espírito Santo, e não se sentir profundamente impactado pelos episódios de violência que continuam a marcar a vida das mulheres. O noticiário local e nacional deu destaque a casos de tamanha brutalidade que desafiam nossa compreensão e tolerância. Ver uma mulher ser arrastada por um quilômetro, perder as pernas, e outras tantas vítimas se somando a estatísticas já alarmantes, nos obriga a reconhecer a urgência de não naturalizarmos esses acontecimentos.
Essas ocorrências se deram, ironicamente, na semana da campanha do Laço Branco, que destaca o papel dos homens no enfrentamento da violência contra as mulheres. Celebridades, autoridades e cidadãos comuns se manifestaram, reconhecendo que o problema é estrutural, alimentado por uma cultura que, há séculos, silencia, julga e submete mulheres à condição de vulnerabilidade. E, ainda assim, os casos aumentam.
Apesar da importância de leis como a Maria da Penha e de campanhas públicas, ainda observamos uma crescente banalização desses episódios. Falar sobre a violência não pode se limitar a datas comemorativas ou a movimentos pontuais. É necessário um engajamento contínuo, sobretudo dos homens, que ocupam o centro desse desafio e que precisam rever seus próprios papéis e práticas cotidianas.
O pronunciamento da ministra Carmen Lúcia serve como um alerta: não podemos permitir que a sociedade brasileira normalize tamanha barbárie. Não é normal conviver com números tão altos de estupros, feminicídios e violências diversas. Não é aceitável que, mesmo com tanta informação disponível, persistam ciclos de machismo e misoginia. É preciso escutar e multiplicar falas que convoquem à responsabilidade, como a do presidente Lula, que reforçou o compromisso masculino com a erradicação desse cenário.
As falas públicas são necessárias, mas devem ser acompanhadas de ações efetivas: educação desde a infância, fortalecimento de políticas de proteção, envolvimento de empresas, escolas, comunidades e, principalmente, de homens – pais, filhos, companheiros. O problema não se resolve sozinho. Precisa ser enfrentado em cada espaço, a cada dia.
A realidade de muitas mulheres capixabas, em especial negras e em situação de vulnerabilidade, é de constante luta por dignidade e segurança. Não podemos mais aceitar que isso se mantenha. É dever de todos – especialmente dos homens – romper a naturalização da violência, assumindo uma postura ativa para transformar essa dura realidade.
Chega de normalizar o inaceitável. Que o Espírito Santo seja referência de transformação, apoiando as mulheres e construindo uma sociedade mais segura, justa e igualitária.








Seu texto não grita para chocar, mas insiste para não deixar esquecer. E interessante e incômodo. Parece uma fadiga moral de quem percebe que a violência virou rotina demais para uma sociedade que se diz civilizada.
Esta é a intenção!! Gritar, e, principalmente, ser ouvida. Sermos ouvidas e respeitadas. Obg pelo comentário 🙂
Vi a notícia da mulher arrastada em Vitória enquanto tomava café e quase derramei a xícara! É inacreditável como aumentam os casos mesmo na Campanha Laço Branco – ate no Footballbros online as pessoas se engajam mais nos jogos do que nessa luta real contra a barbárie, né?
Situação muito triste e desesperadora!!! Precisamos, juntamente com os homens, mudar esta realidade. Nossas vidas, nossos corpos, infelizmente, para muitos não são importantes. Obg pelo comentário e contribuição 🙂