28 de janeiro de 2026
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Relatório do BC destaca aumento da incerteza entre economistas

As expectativas em relação à economia brasileira estão apresentando um aumento considerável na divergência entre os economistas. Essa situação foi evidenciada com a publicação das frequências do Relatório Focus, no qual o Banco Central (BC) coleta as projeções de analistas e dirigentes do setor financeiro. A falta de consenso nas previsões é um sinal claro de incerteza no panorama econômico do país.

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Incertezas e seus impactos nos investimentos

Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Investimentos, comenta que “a incerteza é pior do que um cenário ruim”. Ela explica que a indefinição faz com que investidores busquem alternativas fora do Brasil. Para as empresas, a situação é ainda mais preocupante, visto que a falta de previsibilidade pode impactar seriamente seus planejamentos financeiros. Kawauti exemplifica a complexidade de se planejar com taxas de juros tão variáveis, como no caso da Selic entre 12% e 15% ao ano.

Divergência nas projeções da taxa Selic

Dados do BC revelam que, no final de outubro, 90,4% dos economistas acreditavam que a Selic terminaria 2024 em uma variação de 11,25% a 11,75% ao ano. Contudo, esse número caiu para 55,2% em novembro, enquanto 43,4% dos analistas passaram a antever uma alta nas taxas, estimando um intervalo entre 11,75% e 12,25%.

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No que diz respeito a 2025, as divergências continuam a aumentar. Em outubro, metade dos consultados acreditava que a Selic ficaria entre 10% e 11,25%, mas esse número agora é de apenas 15%. Por outro lado, 34,3% esperam um aumento de 1,25 ponto percentual e 40,7% projetam que a Selic ficará entre 11,5% e 13,75%.

Fatores que influenciam as previsões econômicas

Três elementos principais estão contribuindo para a dispersão das estimativas, conforme analisado por Kawauti. O primeiro é a percepção de que o governo não conseguirá controlar a dívida pública, acentuada pelo recente anúncio de um pacote fiscal considerado insuficiente. O segundo fator é a incerteza sobre a postura do futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que assumirá em janeiro. Por fim, a recente valorização do dólar, que atingiu R$ 6, traz riscos adicionais ao cenário econômico.

“Diante de tamanha incerteza, o que o Banco Central irá decidir não é claro. Um endurecimento das políticas monetárias pode ser necessário para tentar estabilizar as expectativas, o que poderia resultar em um aumento da Selic para conter a inflação, que deve buscar a meta de 3% no próximo ano”, ressalta Kawauti.

Revisão das estimativas para o IPCA

A pesquisa do Banco Central também revelou que nenhum economista espera que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegue ao patamar de 3% estipulado pelo Conselho Monetário Nacional para 2025. As opiniões sobre o assunto se tornaram ainda mais variadas no último mês. Em outubro, mais de 60% dos respondentes projetavam que o IPCA ficaria entre 3,78% e 4,32%; no entanto, atualmente, essa expectativa foi reduzida a pouco mais de um terço. Outros 34,9% preveem um IPCA entre 4,32% e 4,86%, e 21,8% acreditam que a inflação superará o teto da meta, fixado em 4,5% para o próximo ano.

“O mercado teve fé no governo no ano passado, mas agora, com apenas indicações e sem compromissos claros de ajustes nas contas públicas, os custos dessa incerteza estão sendo cobrados”, conclui Kawauti.

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Redação
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