O Brics, sob a presidência rotativa do Brasil desde 1º de janeiro, está avançando na utilização de moedas locais para operações financeiras no comércio e investimentos entre os países-membros. Essa estratégia visa, principalmente, a redução dos custos nas transações comerciais das nações emergentes.
Importância do uso de moedas locais
O secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Mauricio Lyrio, confirmou a iniciativa em uma coletiva de imprensa em Brasília. Segundo Lyrio, o uso de moedas locais já vem sendo praticado desde 2015 e continuará sendo uma realidade durante a presidência brasileira. Diversos membros do Brics já têm adotado essa prática no comércio bilateral, o que desenvolverá ainda mais essa abordagem.
Prioridades da agenda de negociações
O sistema de pagamentos em moedas locais será uma das prioridades discutidas nas próximas reuniões entre os líderes e negociadores das 11 nações que fazem parte do bloco, reunindo Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e, a partir de janeiro de 2024, Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia e Irã.
Discussão sobre moeda comum
Mauricio Lyrio também deixou claro que, neste momento, não haverá discussões sobre a criação de uma moeda comum para o Brics, uma vez que o assunto é complexo e envolve grandes economias. O diplomata ressaltou que a decisão de não abordar essa questão não está relacionada a pressões externas, como declarações recentes de autoridades dos Estados Unidos sobre tarifas sobre importações.
Apesar disso, ele não descartou a possibilidade de conversas sobre uma moeda comum no futuro, afirmando que os chefes de Estado poderiam discutir essa questão mais adiante.
Reforço do multilateralismo
Lyrio sublinhou que o Brics tem como objetivo reforçar o multilateralismo para implementar reformas na governança global, buscando torná-la mais democrática e inclusiva.
Prioridades a serem discutidas
As reuniões programadas para a próxima semana não se restringem ao uso de moedas locais. Serão alinhadas outras prioridades do Brasil para a condução do bloco, com vistas à Cúpula de Chefes de Estado do Brics, marcada para os dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro.
Entre as cinco prioridades que serão abordadas estão a cooperação em saúde, financiamento para ações de combate às mudanças climáticas, comércio, investimento e finanças, governança da inteligência artificial e desenvolvimento institucional do Brics. O encontro contará com a presença do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e pode incluir um discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.







