A recente divulgação do IPCA-15, que é a prévia da inflação oficial no Brasil, trouxe certa preocupação entre economistas, mesmo apresentando um índice abaixo das expectativas. Apesar de apresentarem variações pontuais em alguns itens, os especialistas ainda veem uma inflação de serviços bastante elevada, o que deve manter a política monetária do Banco Central em um regime contracionista.
Análise do IPCA-15
De acordo com o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 registrou uma alta de 1,23% em fevereiro, significativamente superior aos 0,11% de janeiro. Embora esse resultado tenha ficado abaixo das previsões do mercado, que esperava 1,33%, o acumulado em 12 meses já alcançou 5,08%. Entre os fatores que impactaram o índice, destaca-se o aumento de 16,33% nas tarifas de energia elétrica, impulsionado pelo efeito rebote do “bônus de Itaipu”. A inclusão do reajuste das mensalidades escolares também contribuiu para o grupo “Educação”, que teve um aumento de 4,78%.
Variações nos serviços e alimentos
Enquanto alguns itens, como a “Alimentação no domicílio”, mostraram desaceleração por três meses consecutivos, reduzindo de 1,10% em janeiro para 0,63% em fevereiro, outros serviços, como aluguel residencial e serviços bancários, continuam a subir. Também houve deflação considerável nas passagens aéreas, que caíram 20,42% neste período.
Pressões na inflação de serviços
Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, apontou que, apesar da desaceleração nos índices de preços, as variações mensais ainda estão distantes da meta de inflação de 3,0%. A média mensal dos primeiros dois meses de 2023 é de 0,67%, bem acima do que seria desejável. Isso sugere que, mesmo com uma possível queda nas expectativas de inflação, o cenário continuará desafiador para a política monetária.
Projeções de juros e inflação
O Banco Central deve continuar aumentando as taxas de juros, com expectativas de que a Selic chegue a 14,25%. Segundo análises, a inflação de serviços, embora tenha desacelerado, ainda apresenta números preocupantes, como os 3,61% acumulados em 12 meses. O foco continua sendo a política monetária, que deverá permanecer contracionista.
Desafios futuros
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destacou que o mercado de trabalho aquecido pode pressionar ainda mais os custos, contribuindo para a inflação de serviços. Projeções apontam para um IPCA que pode fechar 2025 em 5,9%. Para os economistas, o comportamento dos preços sugere que a pressão inflacionária permanecerá um desafio significativo para o Copom, que pode elevar ainda mais a taxa em reuniões futuras, especialmente se a atividade econômica não se mostrar robusta.
Em suma, o cenário atual apresenta uma inflação de serviços persistente e preocupante, exigindo do Banco Central uma postura cautelosa e a manutenção de uma política monetária restritiva para controlar as expectativas inflacionárias.







