26 de janeiro de 2026
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Reajustes salariais negociados em janeiro superam a inflação em quase 90% dos casos

Em janeiro, 88,2% dos 372 reajustes salariais analisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) superaram a inflação ao serem comparados com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede o custo de vida. Essa marca representa um dos números mais altos dos últimos 12 meses, apenas abaixo do registrado em maio de 2024.

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Dos reajustes realizados neste mês, 6,7% mantiveram-se iguais à inflação, enquanto apenas 5,1% ficaram abaixo dela, conforme o relatório de negociações do Dieese.

Mudança no cenário das negociações salariais

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As análises de janeiro indicam uma mudança no padrão observado no último trimestre de 2024, quando cerca de 75% dos aumentos foram reais. De acordo com o Dieese, essa tendência pode ser influenciada pela correção do salário mínimo em janeiro, que resultou em um ganho significativo de 2,61% acima da variação do INPC. Aproximadamente 37% dos reajustes ficaram entre 2% e 3% acima da inflação, uma faixa que coincide com o aumento do salário mínimo.

Além disso, ao se observar o setor de serviços, nota-se que cerca de 80% dos reajustes vêm de categorias que frequentemente recebem salários próximos ao mínimo, como turismo e hospitalidade.

Repercussões econômicas

Patrícia Pelatieri, diretora técnica adjunta do Dieese, afirma que as negociações coletivas refletem a melhora do cenário econômico, com populados indicadores de 2024, como Produto Interno Bruto (PIB) e empregos, superando as expectativas. Ela destaca que esse cenário impacta diretamente as negociações coletivas, especialmente em um mercado de trabalho aquecido.

Contudo, Pelatieri não acredita que esses reajustes pressionarão a inflação em relação ao seu nível atual. Embora as negociações melhorem a renda e a circulação de recursos, ainda há um distanciamento dos níveis que poderiam causar pressão inflacionária.

Por outro lado, Adenauer Rockenmeyer, economista e coordenador do Fórum de Agronegócios e Agricultura Familiar, observa que o aumento do salário mínimo e os reajustes salariais acima da inflação representam um significativo aumento na renda, o que deve manter o consumo aquecido. No entanto, ele alerta que isso também pode pressionar os preços e, futuramente, reduzir o poder de compra do trabalhador.

Impactos na indústria e no agronegócio

Os setores agrícola e industrial também se beneficiaram do aumento dos preços das commodities e da valorização do dólar, o que elevou as exportações e gerou um ambiente mais favorável para negociações salariais. Pelatieri ressalta que nas negociações, a economia real prevalece sobre as projeções do Boletim Focus.

Entretanto, Pelatieri prevê que a continuidade de uma política econômica restritiva, com juros elevados, pode começar a Impactar a economia até 2026. Para janeiro, o reajuste necessário para restabelecer o poder aquisitivo já havia sido estabelecido em 4,77%, levemente abaixo do registrado em dezembro de 2024. Para fevereiro de 2025, o reajuste necessário diminui ainda mais, para 4,17%, o que pode facilitar as futuras negociações coletivas.

No período de 12 meses, agosto de 2024 foi o mês com o maior percentual de reajustes parcelados, atingindo 3%, enquanto em janeiro, reajustes escalonados foram observados em 14,2% dos casos analisados, evidenciando uma queda contínua após o pico de novembro de 2024.


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