20 de janeiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Isenção do IR e incerteza sobre a Selic podem mitigar a desaceleração do PIB

De acordo com o relatório semanal O Canário da Mina, da G5 Partners, 2026 deverá registrar uma desaceleração do crescimento do PIB em comparação com 2025. O economista-chefe Luís Otávio de Souza Leal observa que essa desaceleração poderia ter sido mais intensa se não fosse a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil e a incerteza que envolve a política monetária.

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Projeções para o PIB em 2026

A G5 Partners estima crescimento do PIB de 2% em 2026, reduzindo-se em 0,2 ponto percentual em relação à taxa prevista de 2,2% para 2025, em função do menor carrego estatístico entre 2025 e 2026, calculado em 0,2 ponto percentual. Na transição de 2024 para 2025, o carrego foi de 0,7 ponto percentual. Além disso, espera-se uma menor contribuição da agricultura, com impacto de 0,5 ponto percentual neste ano, e um arrefecimento gradual do mercado de trabalho.

No relatório, Souza Leal ressalta que “alguns fatores podem mitigar essa desaceleração”, apontando como o mais evidente a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. Segundo os cálculos da equipe, essa isenção elevaria o PIB em 0,26 ponto percentual. A redução dos juros é citada como outro elemento, embora seu efeito seja incerto quanto à intensidade. A projeção do PIB permanece em 2%, mas há viés de baixa devido à incerteza sobre a trajetória dos juros, determinada pela inflação corrente, observa Souza Leal.

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Política monetária e expectativas

No relatório, o economista pondera que o Banco Central deveria conduzir a política monetária com foco nas perspectivas inflacionárias, e não apenas na inflação corrente. Segundo ele, esse canal das expectativas ficará totalmente comprometido pela eleição presidencial e pelo chamado “custo PT”, que o mercado incorpora em projeções de longo prazo.

Souza Leal lembra que, logo após a eleição de Lula em 2022, a projeção de inflação para 2025 subiu de 3% para 3,5%, apesar de o Banco Central, na época, ser presidido por Roberto Campos Neto, figura bem quisto pelo mercado. De forma análoga, em 2025 a expectativa do mercado para 2028 está em 3,5%, levando-o a concluir que, ao fim, a inflação corrente acaba se tornando a melhor referência que o BC possui sobre as perspectivas inflacionárias.

Perspectiva do IPCA

Com base nesse cenário, a G5 Partners projeta uma desaceleração do IPCA entre 2025 e 2026, com a taxa passando de 4,38% para 4,30%.

Quanto a esse conservadorismo, o economista o atribui principalmente às dúvidas sobre o comportamento do dólar no próximo ano, cuja projeção está em R$ 5,50 por ausência de alternativa, um fator que ajudou a conter a inflação neste ano. Para ilustrar esse ponto, ele aponta o comportamento do real nos grupos Alimentação no domicílio e Bens Industriais ao longo de 2025.

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