A inflação na área do euro desacelerou em dezembro, conforme o esperado, e atingiu a meta de 2% estabelecida pelo Banco Central Europeu. A tendência é de queda ainda maior nos próximos meses, já que a redução nos preços da energia neutralizou as pressões domésticas persistentes sobre os custos, segundo dados do Eurostat divulgados nesta quarta-feira.
No bloco que adota a moeda única, a inflação anual recuou para 2,0% no último mês do ano, após ficar em 2,1% em novembro. O resultado está em linha com as estimativas de analistas consultados pela Reuters, uma vez que os preços da energia continuaram a conter o índice geral, compensando uma aceleração nos alimentos.
Um indicador considerado mais essencial, que mede a inflação subjacente ao excluir itens voláteis como energia e alimentação, também caiu: foi de 2,4% para 2,3%. Essa moderação reflete uma desaceleração modesta nos serviços e nos bens industriais.
A trajetória dos preços tem oscilado perto da meta de 2% do BCE durante boa parte de 2025. A instituição projeta que permanecerá nessa faixa nos próximos anos, embora possa ficar abaixo do alvo na maior parte de 2026.
Alguns membros do comitê de política monetária demonstraram preocupação com a possibilidade de leituras muito baixas cristalizarem uma inflação fraca, ao reduzir as demandas por reajustes salariais. A maioria das autoridades, no entanto, adotou uma postura mais tranquila, argumentando que o recuo é passageiro e motivado principalmente pela instabilidade nos custos da energia.
Diante desse cenário, o BCE indicou no mês passado que não pretende fazer novos ajustes em sua política monetária no curto prazo. Esse posicionamento reforçou as expectativas do mercado de que a taxa de depósito será mantida em 2% durante todo o ano de 2026.







