Por meio da Export Finance Australia, sua agência oficial de crédito à exportação, o governo australiano enviou recentemente cartas de apoio para o financiamento de dois projetos de terras raras no Brasil. O valor total desses financiamentos pode chegar a 100 milhões de dólares americanos.
A mineradora australiana Meteoric Resources, responsável pelo Projeto Caldeira, divulgou na última quarta-feira, dia 7, que a empreitada obteve uma carta de apoio financeiro da Export Finance Australia. O anúncio fez as ações da companhia valorizarem mais de 8% na bolsa de valores da Austrália.
Localizado na região de Poços de Caldas, em Minas Gerais, o Projeto Caldeira é considerado um dos empreendimentos de terras raras mais extensos e adiantados do mundo, baseado em argilas de adsorção iônica, uma metodologia similar à usada atualmente pela China.
Essas jazidas, chamadas de IACD (Depósitos de Argila por Adsorção Iônica), são incomuns e têm grande importância estratégica. Diferente dos grandes maciços rochosos, elas permitem uma extração mineral menos agressiva e com impacto ambiental reduzido.
Segundo a empresa, o financiamento em vista tem como objetivo fomentar o desenvolvimento do Projeto Caldeira por meio da contratação de empresas australianas especializadas em engenharia, fornecimento, construção e gestão.
O projeto já conta com apoio financeiro do Export-Import Bank of the United States, a agência de crédito à exportação do governo norte-americano.
Stuart Gale, diretor-presidente da Meteoric, afirmou que a Carta de Apoio da Export Finance Australia representa um sólido voto de confiança na estratégia e na capacidade da empresa de se tornar a próxima grande fornecedora de materiais críticos de terras raras.
Em dezembro, o projeto obteve a licença ambiental prévia, iniciou as operações de sua planta-piloto e concretizou a primeira produção de carbonato misto de terras raras.
Fontes próximas à mineradora relataram que o governo federal tem dado respaldo a essas negociações e se mostrado um “ambiente aberto” para investimentos.
Ainda em dezembro, a secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt, reuniu-se com a embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, para discutir a política de minerais críticos no país.
Projeto Colossus
Na terça-feira anterior, dia 6, a companhia australiana Viridis Mining & Minerals anunciou que o Projeto Colossus, localizado em Minas Gerais e rico em terras raras, também recebeu uma carta de apoio para financiamento da mesma agência australiana.
Conforme comunicado da empresa, o financiamento pode alcançar até cinquenta milhões de dólares e será destinado ao desenvolvimento do projeto.
Com a emissão da carta, o empreendimento agora avança para uma fase de due diligence, que inclui avaliações técnicas, financeiras, ambientais e de crédito realizadas pela agência antes de uma possível aprovação formal.
As ações da Viridis valorizaram mais de 12% na bolsa australiana após o anúncio.
O Projeto Colossus possui reservas de argilas iônicas ricas em neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, elementos essenciais para a produção de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas de defesa e equipamentos de alta tecnologia.
Anteriormente, o Colossus já havia sido considerado elegível para financiamento por outras duas agências internacionais de crédito à exportação: a Bpifrance Assurance Export, do governo francês, e a Export Development Canada, do governo canadense.
Na prática, essa elegibilidade mostra que o projeto atende aos critérios técnicos, ambientais, econômicos e estratégicos exigidos por esses países para obter garantias ou crédito público, o que aumenta a confiança de bancos e investidores privados na viabilidade da iniciativa.
Austrália, Canadá e França classificam o projeto mineiro como estratégico, em meio aos esforços das nações ocidentais para diversificar seus fornecedores de terras raras e reduzir a dependência da China, que atualmente domina grande parte da cadeia global desses minerais.
No caso específico do governo francês, o Colossus foi incluído no programa “Garantie de Prêt Stratégique”, que oferece garantia soberana parcial para financiamentos bancários de projetos considerados de interesse nacional e geopolítico para a França e seus aliados.
Em dezembro, o projeto recebeu sua licença ambiental prévia, etapa vista como crucial no processo de licenciamento. A Viridis espera alcançar a decisão final de investimento no segundo semestre de 2026.
A estratégia da empresa é consolidar-se como fornecedora desses insumos para países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, dentro de um cenário de reconfiguração das cadeias globais de suprimento e de reforço da segurança mineral.







