Léo Batista, a emblemática voz da televisão brasileira, faleceu no último domingo (19), aos 92 anos. Reconhecido como o pioneiro na narração de Fórmula 1 na TV Globo, sua trajetória deixou uma marca indelével na história do automobilismo nacional.
O legado de Léo Batista
Nascido em Cordeirópolis, São Paulo, em 1932, Léo Batista teve uma carreira que se estendeu por quase 80 anos, testemunhando e reportando momentos cruciais da sociedade brasileira, incluindo eventos como a morte de Getúlio Vargas em 1954. Ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde adotou o nome profissional que se tornaria icônico.
A entrada de Léo na Fórmula 1 começou em 1970, quando ele se juntou à cobertura de futebol da TV Globo. Após a conquista do título por Emerson Fittipaldi em 1972, o interesse pela Fórmula 1 cresceu, e Léo passou a narrar corridas da categoria. Em uma entrevista marcada pela nostalgia, Léo recordou as dificuldades da época, quando a tecnologia disponível para as transmissões era rudimentar.
Desafios e inovações nas transmissões
“As informações naquela época eram escassas. Comecei as transmissões com o piloto Fábio Crespi”, relembrou Léo. Ele ressaltou as dificuldades em acompanhar as corridas, a falta de atualização em tempo real e a limitação dos monitores da época. Para contornar esses problemas, ele criou uma tabela manual usando ímãs, que lhe permitiu acompanhar as posições dos pilotos durante as corridas. Isso se transformou em uma inovação que facilitou seu trabalho nas coberturas ao vivo.
Entre as corridas memoráveis transmitidas por Léo Batista, destaca-se o GP da França de 1979, famoso pela batalha feroz entre Jean-Pierre Jabouille e Gilles Villeneuve. Essa corrida é frequentemente citada como uma das melhores da história da Fórmula 1.
Momentos marcantes e tristes
Léo Batista também teve que cobrir momentos trágicos, como o acidente que levou à morte de Ayrton Senna em 1994. Em uma entrevista, ele declarou que aquele foi o momento mais triste de sua carreira como jornalista. As emoções estavam à flor da pele, e Léo, ao escutar a confirmação da morte de Senna, tomou a difícil missão de informar ao público.
Além de sua contribuição para o automobilismo, Léo Batista acumulou uma impressionante trajetória na comunicação, participando de 13 edições de Jogos Olímpicos e Copas do Mundo. Seu trabalho em programas como Globo Esporte e Esporte Espetacular solidificou sua reputação como um dos grandes nomes do jornalismo esportivo no Brasil.
A contribuição de Léo Batista para a Fórmula 1 e seu impacto na televisão brasileira permanecerão na memória coletiva, homenageando o legado de uma vida dedicada à narrativa e à paixão pelo automobilismo.






