Os recentes bombardeios americanos à Venezuela reacenderam as incertezas sobre uma possível punição da FIFA ao país, que será uma das sedes da Copa do Mundo de 2026. Paralelamente, um movimento para boicotar o torneio ganha força nas plataformas digitais, principalmente na Europa, onde há pressão para que as seleções locais não participem. Para o Brasil, uma situação dessas seria catastrófica para as emissoras de TV aberta, em especial para a Globo e o SBT, que investiram pesado no evento.
Audiência e receita em jogo
Como já se sabe, a Copa do Mundo deve registrar alguns dos maiores índices de audiência em 2026. Só a Globo, por exemplo, teve números expressivos nas medições do Kantar Ibope durante as partidas das Eliminatórias em 2025, sobretudo na Grande São Paulo – região que representa cerca de 40% do Painel Nacional de Televisão.
Até o SBT já percebeu que as transmissões de futebol podem ajudar a aumentar não só a audiência, mas também a fortalecer as finanças. A exibição da Copa Sul-Americana e da Liga dos Campeões trouxe resultados positivos, tanto em número de telespectadores quanto em receita para a empresa do falecido Silvio Santos.
O poder de atração do esporte na TV
A verdade é que as transmissões esportivas estão entre os poucos momentos em que a TV aberta ainda consegue prender totalmente a atenção do telespectador – algo cada vez mais raro. Elas impulsionam a audiência, assim como as grandes coberturas jornalísticas.
Para ilustrar, o Jornal Hoje bateu recorde histórico ao noticiar a morte do papa Francisco e viu seus números crescerem num sábado com a detenção de Nicolás Maduro.
Riscos de um possível boicote
Uma recusa coletiva das seleções em participar do torneio poderia causar um problema sério, que vai além de simples ajustes na programação. Pior ainda seria se o próprio público perdesse o interesse pela competição, especialmente depois da aproximação da FIFA com Donald Trump – homenageado durante o sorteio dos grupos no final de 2025.
A Copa é crucial para a própria sobrevivência da TV aberta, que não deve desaparecer tão cedo. Assim como a televisão não acabou com o rádio, as inovações tecnológicas não vão extinguir a “telinha”, mas certamente vão capturar fatias valiosas de atenção e de investimento publicitário.
Cenário atual e considerações políticas
Por ora, um boicote parece pouco provável, também porque a proximidade da FIFA com Trump gera receio de possíveis punições às equipes que se recusarem a jogar. Além disso, nota-se um esforço considerável para manter as questões políticas longe do esporte – ainda que megacomentos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, sempre tenham envolvido aspectos geopolíticos.







