A parábola do filho pródigo traz duas lições que falam profundamente ao meu coração.
A primeira é a reconciliação do filho mais novo, um processo cujo tempo exato não conhecemos, mas que revela um arrependimento genuíno. A segunda é a atitude do irmão mais velho, que desejava ver o outro receber punição, e não restauração.
Esse senso de justiça revela muito sobre as nossas feridas emocionais.
O irmão mais velho guardava:
mágoas antigas,
cansaço acumulado,
sensação de invisibilidade,
comparação constante,
a crença de que ninguém via o que ele fazia —
ou melhor, de que o pai, que representa Deus, não via.
Sentimos isso quando alguém nos fere e, de repente, tudo parece se resolver rápido demais; quando alguém que prejudicou outras pessoas prospera; ou quando alguém colhe algo bonito após ter feito escolhas ruins.
O irmão mais velho também precisava de cura, mesmo estando na casa do Pai.
Ele não queria apenas o castigo do outro; talvez desejasse sentir-se o filho mais amado, receber reconhecimento por tudo o que fazia para o Pai.
E a resposta do Pai é clara:
“Filho, tudo o que tenho é teu.”
Onde estava, então, o coração desse filho? Na intimidade ou apenas na obrigação de servir? Ele desfrutava, como filho, da mesa maravilhosa do Pai?
Será que temos medo de que o amor de Deus pelo outro signifique menos amor para nós?
O Pai saiu da festa e insistiu para que o filho entrasse, mas a Bíblia não diz se ele entrou ou não. Cabe a nós decidir se vamos participar do que o Senhor tem preparado para nós ou se viveremos uma vida de limitações, dor e escassez física, emocional e espiritual.








