Agustín Izquierdo, um argentino de 36 anos, embarcou em uma jornada audaciosa: cruzar o continente africano sobre duas rodas. Durante quase 12 meses, percorreu impressionantes 51 mil quilômetros, passando por 23 países distintos.
Radicado em Barcelona há oito anos e graduado em Turismo, Izquierdo já havia explorado várias regiões do planeta, mas seu grande desejo era conhecer a África, que considera pouco visitada por viajantes argentinos.
O processo de preparação durou quatro anos, incluindo a obtenção de vistos, as vacinas obrigatórias e a formação de uma reserva financeira por meio do emprego em uma empresa do setor turístico.
Desafios na travessia africana
Iniciada em outubro de 2024, a aventura partiu de Barcelona com destino a Tânger, seguindo pela costa ocidental do continente. O percurso incluiu países como Senegal, Nigéria, África do Sul e Quênia, concluindo em setembro do ano seguinte.
O trajeto apresentou obstáculos constantes: estradas que se transformavam em trilhas de terra e áreas de conflito, como o norte da Nigéria, onde atua o Boko Haram. Apesar disso, o motociclista afirma nunca ter sentido uma ameaça real durante a expedição.
Encontros culturais marcantes
Além das paisagens, a riqueza da viagem veio do contato com comunidades tradicionais. Izquierdo compartilhou momentos com os Turkana do Quênia e os Hadzabe da Tanzânia, povos que preservam modos de vida ancestrais.
O futebol argentino serviu como ponte cultural: menções a Messi e Maradona geravam reconhecimento imediato por onde passava.
Rotina na estrada
Durante a jornada, o viajante alternou entre acampamentos, hospedarias econômicas e a hospitalidade local. Optou por uma alimentação básica por motivos de segurança sanitária.
A comunicação ocorria por soluções improvisadas: desde aplicativos de tradução até gestos. Os maiores gastos foram com documentação e com o combustível da sua Yamaha.
O legado da experiência, segundo Izquierdo, transcende o aspecto geográfico: a generosidade e a alegria das pessoas, mesmo em condições difíceis, transformaram-se na verdadeira lição da travessia.







