21 de janeiro de 2026
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Trump admite ter ajudado Milei e gera alerta sobre interferência dos EUA

A admissão do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre o papel de Washington na vitória de Javier Milei nas eleições legislativas argentinas surpreendeu diplomatas e analistas políticos.

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Durante uma viagem à Ásia, Trump afirmou que Milei recebeu “muita ajuda nossa” para conquistar o pleito e que o governo americano disponibilizou um plano de resgate de US$ 40 bilhões, incluindo um swap cambial de US$ 20 bilhões e aportes equivalentes em títulos da dívida argentina.

“Ele teve muita ajuda nossa. Muita ajuda. Eu o apoiei fortemente”, declarou Trump, que classificou o resultado como uma “vitória grande e inesperada” e elogiou sua equipe pelo apoio ao aliado. O desfecho eleitoral confere a Milei um mandato ampliado para prosseguir com sua reforma econômica radical, mesmo diante do descontentamento popular pelas medidas de austeridade.

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Especialistas, como o historiador James N. Green, professor da Universidade Brown e estudioso do Brasil, interpretam a declaração como sinal de uma disposição norte-americana de interferir diretamente em processos eleitorais na América do Sul.

Sinal de alerta para o Brasil

Em entrevista ao Portal Vermelho, o historiador brasileiro radicado nos EUA alertou que as observações de Trump representam um “aviso significativo para o Brasil”, que terá eleições presidenciais em 2026, pois o ex‑presidente demonstra interesse crescente na região e não se pode excluir a hipótese de intervenções em pleitos futuros.

Segundo Green, com os recentes processos eleitorais na Argentina e as ameaças dirigidas à Venezuela e à Colômbia, ficou mais nítido o incremento do interesse de Trump pela América do Sul, o que acende um alerta para quem acompanha as eleições de 2026.

O pesquisador destaca que a cooperação entre democracias latino-americanas será essencial para impedir tentativas de manipulação política ou econômica por parte de Washington.

Green enfatiza que forças democráticas aliadas ao Brasil, acadêmicos e cidadãos nos Estados Unidos devem atuar em conjunto para identificar, denunciar e pressionar contra qualquer forma de interferência eleitoral.

Antes das eleições de 2022, Green foi um dos articuladores do grupo “amigos do Brasil” em Washington, buscando apoio em setores progressistas dos EUA para assegurar um processo eleitoral limpo e defender a democracia diante das investidas do bolsonarismo.

Riscos de interferência direta e indireta

O pesquisador aponta dois caminhos para uma eventual interferência norte-americana no Brasil sob a liderança de Trump: operações secretas de financiamento e ações públicas de pressão econômica.

Na avaliação de Green, Trump poderia apoiar clandestinamente a oposição com recursos tecnológicos e apoio de bastidores via agências como a CIA, enquanto, abertamente, poderia coagir o Brasil por meio de tarifas ou sanções, com o objetivo de favorecer a ascensão da extrema direita.

O historiador ressalta, contudo, que uma estratégia similar defendida por Eduardo Bolsonaro, articulada a partir de Washington, teve efeito contrário ao esperado, provocando indignação entre os brasileiros e ampliando a base de apoio ao governo Lula.

Essas práticas lembram intervenções clássicas da Guerra Fria, quando Washington procurava moldar governos alinhados aos seus interesses geopolíticos, e a diferença atual é que essa interferência passa a ocorrer sem dissimulação, sob o discurso da “defesa da liberdade e do mercado”.

Interesses econômicos e estratégicos

O apoio manifestado por Trump a Milei não se limita à afinidade ideológica: o pacote norte-americano foi estruturado para proteger investimentos e assegurar o acesso a minerais estratégicos, como o lítio, crucial para a indústria tecnológica.

Washington firmou com Buenos Aires um memorando de cooperação sobre minerais críticos com o objetivo de reduzir a dependência da China na cadeia global de produção de insumos para baterias e semicondutores.

Além dos interesses comerciais, analistas interpretam essa postura americana como tentativa de reconfigurar sua influência política na região, enfraquecendo governos progressistas e reaproximando aliados de direita.

A disputa por influência no continente

Para Green, a América do Sul voltou a ser palco de competição entre potências, com os Estados Unidos atuando de maneira cada vez mais explícita.

Trump enxerga o continente como zona de influência natural dos EUA e busca conter a expansão chinesa, mantendo governos que compartilhem afinidades ideológicas; isso representa um risco à soberania democrática dos países da região.

A celebração pública da vitória de Milei por parte de Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforça essa estratégia: ambos defenderam que a Argentina passa a ser “um modelo de liberdade e de livre iniciativa” e afirmaram a intenção de ampliar a parceria com Buenos Aires.

O desafio democrático de 2026

O episódio argentino reacende a discussão sobre a fragilidade das democracias sul-americanas diante de intervenções externas. No Brasil, a possibilidade de uma nova candidatura de Lula em 2026 e o eventual alinhamento da direita preocupam especialistas.

O alerta de Green aponta para a urgência de reforçar instituições eleitorais e mecanismos de transparência, ressaltando que a América do Sul precisa tirar lições da experiência argentina, pois não há neutralidade quando interesses de potências estrangeiras estão em jogo.

Na avaliação do pesquisador, a admissão de Trump sobre a ajuda a Milei demonstra que os EUA voltaram a atuar de forma aberta na região, e o Brasil deve se preparar para resistir a essas investidas.

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