20 de janeiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O BRICS tem exército próprio?

O aumento das tensões militares no plano internacional motivou debates sobre segurança e soberania na Cúpula Popular do Brics, realizada no Rio de Janeiro. Delegados de 21 países do Sul Global analisaram o papel do bloco diante do avanço militar dos Estados Unidos e da OTAN em diversas regiões do mundo. Mesmo com pautas relacionadas à defesa, especialistas ressaltam que o Brics não dispõe de um exército permanente nem de uma capacidade bélica unificada, funcionando apenas como uma aliança de cooperação política e econômica.

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Pressões externas reacendem pauta de segurança

O professor Jonnas Vasconcelos, da Universidade Federal da Bahia, afirma que o cenário mundial é marcado por crises econômicas, sociais, ambientais e políticas simultâneas, que impõem novos desafios ao bloco. Segundo ele, medidas unilaterais de Washington têm fragilizado instituições como a ONU, reduzindo sua capacidade de mediação internacional.

Vasconcelos também apontou episódios de violação de direitos internacionais, citando a ofensiva contra o povo palestino e as ameaças à Venezuela, e defendeu que o Brics pode desempenhar papel relevante ao pressionar por soluções diplomáticas e contrapor medidas agressivas.

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Brics como espaço político de resistência

O jornalista Breno Altman defendeu no evento que o Brics adote uma postura mais firme de resistência geopolítica à chamada “Ordem Antiga”, liderada pelo Ocidente. O encontro reforçou a convicção de que o bloco precisa se consolidar como um espaço de articulação política entre países do Sul Global.

O analista Marco Fernandes, um dos organizadores da Cúpula Popular e integrante do Conselho Civil do Brics, salientou que a participação social é essencial para conferir legitimidade ao bloco e construir propostas conjuntas. Ele destacou, ainda, que a presidência brasileira ampliou o diálogo entre governo e sociedade civil.

Desdolarização ganha protagonismo nas discussões

Uma das pautas econômicas de maior destaque no encontro foi a desdolarização. Fernandes mencionou iniciativas em países asiáticos que adotam sistemas de pagamento instantâneo semelhantes ao Pix, possibilitando transações bilaterais sem recorrer ao dólar, medida que reduz custos e simplifica as operações comerciais.

Para analistas, a redução da dependência em relação à moeda norte-americana será gradual, mas é considerada estratégica tanto do ponto de vista econômico quanto político.

Limites e desafios das instituições do bloco

Apesar da expansão do Brics nos últimos anos, suas instituições seguem enfrentando limitações. O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), presidido por Dilma Rousseff, desembolsou menos de US$ 3 bilhões em financiamentos no ano passado, montante considerado insuficiente para suprir as necessidades dos países membros.

O Arranjo Contingente de Reservas, concebido como alternativa ao FMI, foi apontado como um mecanismo ainda pouco utilizado. Fernandes defendeu que o NBD amplie seus recursos e adote uma orientação mais voltada aos setores populares, incluindo cooperativas e organizações de trabalhadores.

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