Cartas de Moçambique emocionam estudantes de Vitória e transformam sala de aula em ponte entre continentes
Quem disse que, na era do WhatsApp, uma carta de papel já não faz milagres? Nesta terça [9] de dezembro, os estudantes do 9º ano da Emef São Vicente de Paulo, provaram que uma folha escrita à mão pode atravessar oceanos, criar laços e arrancar sorrisos que nem filtro de celular consegue reproduzir.
Depois de semanas de expectativa, chegaram as tão aguardadas respostas do projeto “Cartas para Moçambique”, uma troca cultural que uniu adolescentes capixabas e moçambicanos por meio da escrita afetiva.
Quando os envelopes chegaram, a sala virou mundo
Bastou a professora abrir o pacote para a temperatura emocional subir. Teve estudante que abraçou a carta como quem encontra um velho amigo. Teve quem leu em voz alta, quem correu para mostrar ao colega, e quem preferiu guardar o envelope como tesouro particular.
Desenhos, histórias da vida cotidiana africana, curiosidades sobre o território e até pequenos gestos de afeto vieram dentro dos envelopes, provocando encantamento imediato.
“Eu estava muito ansiosa. Quando a carta chegou, fiquei muito feliz. Minha correspondente lembrou de mim e contou da vida dela. Foi incrível”, contou Mercya Mariani, ainda abraçada ao papel.
Raphael Braga completou: “Percebi que, mesmo tão longe, somos muito parecidos”.
O projeto que cruzou o Atlântico. A atividade foi conduzida pelos bolsistas do PIBID Édipo Frinhani, Lívia Quirino e Raí Balbieri, sob orientação da professora de Língua Portuguesa Patrícia Seibert Lyrio e apoio do coordenador André Effgen Aguiar.
A ponte com Moçambique nasceu graças ao professor moçambicano Cesário Lopes Manuel, doutorando da Ufes, que articulou a troca entre as escolas.
Para preparar as cartas, os estudantes mergulharam em atividades sobre cultura afro-brasileira e história africana: palestra temática, roda de conversa, estudo do gênero textual e até um passeio pelo Centro Histórico de Vitória, para fotografar elementos da cultura capixaba enviados aos colegas moçambicanos.
E, quando as cartas chegaram… O resultado foi emoção pura. “Foi muito especial ver os estudantes abrindo as cartas, sorrindo, se surpreendendo. A língua portuguesa se mostrou um elo que aproxima mundos”, afirmou a professora Patrícia.
O diretor Cristino Carneiro também se encantou:
“No tempo da mensagem instantânea, receber uma carta escrita à mão resgata um vínculo afetivo que permanece. As reações deles disseram tudo.”
Para o professor Cesário, do outro lado do oceano, a cena confirma o poder da iniciativa:
“É um aprendizado para a vida. A comunicação afetiva ainda tem seu lugar.”
Até as famílias sentiram o impacto do projeto. Josiany França, mãe de Arthur Luiz, contou que o filho queria “terminar a carta perfeitamente”: “Ele gosta de dizer exatamente o que sente. Ver essa conexão acontecer me deixou muito feliz. Toda escola deveria ter uma experiência assim.”
O que se viu na Emef São Vicente de Paulo foi mais do que uma atividade escolar. Foi uma aula viva de empatia, identidade e pertencimento. Um lembrete de que, mesmo separados por mares e quilômetros, jovens podem se reconhecer no outro, aprender com o outro e, principalmente, se emocionar com aquilo que só uma carta escrita à mão ainda é capaz de revelar.
Porque, no fim das contas, quando uma carta chega… o mundo chega junto.







