Encerramento da exposição Casa Gaza transforma despedida em ato coletivo de resistência artística no Centro de Vitória
Nem todo fim é silêncio. Alguns encerramentos fazem barulho, chamam gente, levantam ideias e deixam eco. Neste domingo, às 18 horas, a Casa da Gabi, no Centro de Vitória, vira palco do ato final da exposição Casa Gaza. Finissage, sim. Despedida protocolar, nem pensar. O encontro propõe uma convergência de gestos individuais que, juntos, formam um ato solidário. É arte dizendo presente quando o mundo insiste em se ausentar.
Sob o teto que abriga as obras de Gabi King, a exposição se despede como começou, com cores vibrantes, formas insurgentes e um discurso direto. A arte aqui não fica quieta na parede. Ela anda, provoca, incomoda. Segundo a historiadora de arte Aracy Amaral, a arte política não existe para agradar, mas para deslocar certezas. Casa Gaza segue exatamente esse caminho, com trabalhos que convocam o público a sentir antes de entender e a pensar antes de esquecer.
O evento se insere em um contexto global delicado. O conflito na Palestina, amplamente documentado por organismos internacionais como a ONU e a Anistia Internacional, mobiliza artistas ao redor do mundo. Em Vitória, a resposta vem em forma de encontro, manifesto e presença física. A exposição assume a arte como ferramenta histórica de protesto e memória, algo que o filósofo Walter Benjamin já apontava ao afirmar que toda obra cultural carrega também as marcas de seu tempo.
O ato final propõe um fechamento com exclamação, não com ponto final. Um convite direto, quase caseiro, para ocupar o espaço, compartilhar ideias e lembrar que cultura também é posicionamento. Em tempos de feeds rápidos e opiniões descartáveis, parar para estar junto já é um gesto político. E gratuito, o que ajuda a decidir.
SERVIÇO
Finissage da exposição Casa Gaza
domingo, 21 de dezembro as 18 horas
Casa da Gabi – Endereço Rua Professor Baltazar, 123, Centro
Entrada gratuita







