Se você curte distopias de tirar o fôlego, prepare-se para mergulhar de cabeça em “O Conto da Aia”, obra brilhante de Margaret Atwood. Imagine um futuro quase palpável, onde a criatividade parece ter evaporado: nada de jornais, revistas, filmes e, pasme, nem universidades! Nesse novo cenário, advogados também se tornam coisa do passado, já que ninguém tem sequer o direito à própria defesa. Quem ousa desafiar as regras, mesmo que seja só cantando uma música com palavras como “liberdade”, pode virar exemplo sombrio: fuzilamento em praça pública, corpos expostos no temido Muro. Sério, chocante!
O palco dessa história é Gilead, uma república teocrática e totalitária que já foi chamada de Estados Unidos da América. Nesse lugar, as mulheres são especialmente reprimidas. Divididas em castas rígidas, elas perdem todos os direitos e ganham funções específicas dentro do Estado. Offred, protagonista icônica da narrativa, faz parte das aias: sua existência gira em torno de um único objetivo — procriar, já que um desastre nuclear transformou a fertilidade em artigo raríssimo. Mesmo com uma rotina vigiada 24 horas por dia e tendo perdido tudo, Offred ainda está em melhor situação do que as chamadas não-mulheres: viúvas, feministas, homossexuais e todas que não podem ter filhos são enviadas para colônias radioativas, trabalhando até o limite.
A publicação de Atwood, que virou até série de TV premiada, questiona o leitor sobre temas quentíssimos como liberdade, direitos civis, poder e os riscos de perdermos conquistas sociais. É o tipo de leitura que provoca, emociona e deixa aquela pulguinha atrás da orelha sobre o quanto o presente pode influenciar o nosso futuro. Não à toa, esse livro conquistou o Arthur C. Clarke Award e segue impactando gerações. Bora encarar esse universo vibrante e desafiador?







