O papel dos militares na política brasileira é um tema cada vez mais debatido, especialmente à luz das recentes críticas sobre a impunidade que lhes é atribuído. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, destaca a urgência de um diálogo franco sobre as interações entre as Forças Armadas e a administração pública. Mendes menciona a tramitação de projetos de lei no Congresso Nacional que visam limitar a politização de quartéis e a militarização da gestão pública.
Debate sobre a necessidade de reformas
Durante um evento no STF, o ministro defendeu a criação de uma legislação que imponha um período de quarentena para militares e outros servidores públicos que desejam se candidatar a cargos eletivos. Mendes enfatizou que a atuação de militares, juízes e outros profissionais públicos não deve ser utilizada para manipulações políticas.
O crescente número de candidatos provenientes das forças de segurança no Congresso Nacional é notável. Atualmente, a bancada da segurança pública conta com 56 deputados e 10 senadores, uma ampliação significativa desde a primeira legislatura, que contava com apenas quatro representantes. Esses egressos defendem pautas que incluem alterações no sistema penal e maior circulação de armamentos.
A percepção pública e a idealização dos militares
A opinão pública, muitas vezes, idealiza os militares como figuras de “correção” e disciplina. Antonio Tabet, publicitário e ator, aponta que esse olhar romântico para o passado militar é alimentado por uma visão binária, que costuma confundir intransigência com disciplina. Por outro lado, o jornalista Leandro Demori menciona que o culto ao passado militar ressurge em momentos históricos de crise, sendo manipulado por líderes para mobilizar a sociedade.
A crítica à impunidade histórica
A impunidade dos militares, particularmente durante a ditadura de 1964 a 1985, é um tema amplamente abordado por ativistas e jornalistas. Bianca Santana destaca que os abusos cometidos nesse período permanecem sem responsabilização. Ela afirma que enquanto não houver um processo de responsabilização, os militares poderão repetir tais ações.
Juliana Dal Piva também ressalta a importância de discutir o legado autoritário da ditadura e de promover reformas institucionais necessárias. O psicanalista Christian Dunker enfatiza a necessidade de medidas que responsabilizem os envolvidos em tentativas de golpe, mencionando a intentona bolsonarista de 8 de janeiro como um exemplo claro da necessidade de cobrança.
Relações institucionais e a diversidade de opiniões
Embora existam divergências acerca do papel dos militares nas estruturas de poder, muitos especialistas, como Antonio Tabet e Felipe Recondo, acreditam que não se deve generalizar a participação do Exército em planos golpistas. Eles reconhecem que algumas figuras dentro das Forças Armadas se opuseram a essas tentativas de subversão.
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, enfatiza a importância de distinguir entre a instituição militar e as condutas de indivíduos. Ele afirma que a democracia e as instituições precisam ser constantemente alimentadas e cuidadas para evitar que erros do passado sejam repetidos.
O espaço continua aberto para que diversas vozes, inclusive representantes de ex-militares, se manifestem sobre este tema crítico para a democracia brasileira. A discussão sobre a impunidade dos militares é essencial para entender as dinâmicas de poder e as consequências históricas que ainda reverberam na sociedade.






