20 de janeiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Governo e empresários vão explorar o ‘sonho indiano’ com megacomitiva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegará a Nova Délhi (Índia) na segunda semana de fevereiro de 2026, em uma missão que integrantes do governo consideram a maior iniciativa da gestão petista para abrir mercados na Ásia.

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A Índia é encarada internamente como um “sonho de mercado” devido ao vasto potencial de negócios em áreas como frutas, leguminosas, algodão, aves e tecnologia, além do expressivo consumo doméstico.

A viagem será o ponto culminante de um processo de aproximação iniciado quando o primeiro-ministro Narendra Modi visitou o Brasil, em julho deste ano, ocasião em que ambos trataram de ampliar o comércio e a cooperação industrial bilateral.

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Desde então, o Palácio do Planalto tem trabalhado para reposicionar a Índia como parceira estratégica na Ásia e para diversificar os destinos das exportações brasileiras.

O presidente, que já recebeu Modi em Brasília, decidiu conduzir pessoalmente as negociações e pretende que essa viagem seja a última grande entrega econômica antes do período eleitoral, razão pela qual as datas coincidem com o feriado prolongado de Carnaval.

O cronograma da visita à Índia está sendo elaborado em conjunto com uma missão empresarial mais ampla, que também incluirá a Coreia do Sul, parte de uma estratégia da ApexBrasil para deslocar empresários brasileiros aos dois países asiáticos no mesmo período.

A pauta deve dar especial atenção aos fertilizantes. A Índia figura entre os maiores produtores mundiais, enquanto o Brasil, dependente de importações, vive uma vulnerabilidade crítica: os solos nacionais são pobres em nutrientes e o país produz apenas cerca de 30% do que consome.

Essa dependência externa encarece insumos e torna o agronegócio vulnerável a variações de preço e de oferta.

O governo avalia que um acordo com Nova Délhi pode mitigar esse risco e assegurar previsibilidade no fornecimento de insumos agrícolas, fortalecendo a produção interna e as exportações brasileiras.

Diagnóstico

Negociadores brasileiros consideram que a Índia possui um potencial comercial muito grande, mas a estrutura interna e a falta de coordenação entre produtores e autoridades complicam a previsibilidade das operações comerciais.

A economia indiana baseia-se fortemente na produção local, fragmentada e com grande sensibilidade às condições climáticas.

No caso do feijão, por exemplo, quando a safra atende ao consumo doméstico, as importações param; se ocorrer uma quebra de safra, o país recorre rapidamente ao mercado internacional e aceita preços mais altos para recompor estoques.

O Brasil é percebido como fornecedor ágil e confiável, com histórico de entregas, porém nem sempre consegue suprir a demanda nos prazos e volumes requisitados.

Atuação da ApexBrasil

Nos últimos anos, a ApexBrasil buscou ampliar a presença brasileira na Índia por meio de feiras e rodadas de negócios.

A resposta, contudo, foi restrita: a baixa participação de empresas indianas e a dificuldade em fechar contratos levaram à redução dessas iniciativas, de duas missões anuais para apenas uma.

A expectativa é que a presença presidencial reabra oportunidades e dê escala política às negociações em um esforço coordenado entre Itamaraty, MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e a ApexBrasil.

A corrente comercial entre Brasil e Índia está em torno de US$ 12 bilhões, valor considerado modesto diante do porte das duas economias, e os governos definiram a meta de elevar esse patamar para US$ 20 bilhões até 2030.

Segundo a ApexBrasil, a missão também tem por objetivo “mudar a lógica de mercado” com a Índia e a Coreia do Sul, promovendo uma relação comercial mais ativa e equilibrada, além do padrão atual de exportações esporádicas.

A missão de Alckmin que abriu o caminho

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSB) chefiou uma missão multissetorial a Nova Délhi com representantes de vários ministérios — Agricultura, Minas e Energia, Defesa, Ciência e Tecnologia, Saúde — e de entidades como CNI (Confederação Nacional da Indústria), FICCI (Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia) e ApexBrasil.

A agenda incluiu encontros com ministros indianos, rodadas empresariais e o lançamento do Fórum Empresarial de Líderes Brasil-Índia, criado para aproximar os setores privados dos dois países e institucionalizar o diálogo comercial.

O movimento integra a etapa mais recente da Parceria Estratégica Brasil-Índia, estabelecida em 2006 e reforçada após a visita de Modi em 2025.

Dados do governo mostram que, entre janeiro e maio de 2025, as exportações brasileiras para a Índia cresceram 14,8%, enquanto as importações indianas para o Brasil aumentaram 31,8%, indicativos de que a relação comercial ganhou dinamismo, mas ainda não atingiu o potencial esperado.

A viagem de Lula, vista internamente como a consolidação política dessa aproximação, deve inaugurar uma nova fase de cooperação econômica entre os países, com ênfase em fertilizantes, agronegócio, tecnologia e energia limpa.

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