Um novo subclado do vírus influenza, apelidado de gripe K, vem atraindo a atenção de autoridades sanitárias. Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde informou sobre um “rápido crescimento” dos casos dessa variante desde agosto em diversos países.
Embora em termos gerais o número de infecções esteja dentro do padrão esperado para a estação, com o início do inverno, na próxima semana, no Hemisfério Norte, a OMS alerta que em algumas áreas do mundo os aumentos ocorreram mais cedo e superaram o habitual.
O documento registra que alguns países relataram início antecipado da temporada de influenza, enquanto em outros a atividade viral está em ascensão, sem, contudo, ter alcançado o limiar epidêmico.
As autoridades enfatizam a necessidade da vacinação e recomendam que os países mantenham vigilância epidemiológica ativa para acompanhar a circulação do vírus. A seguir, estão reunidas as informações conhecidas sobre a gripe K.
O vírus influenza, causador da gripe, é classificado em quatro tipos: A, B, C e D. Os tipos A e B provocam epidemias sazonais, sobretudo no inverno, e apresentam subdivisões.
O tipo B divide-se em duas linhagens, B/Yamagata e B/Victoria. Já o influenza A possui vários subtipos, definidos pelas combinações das proteínas de superfície hemaglutinina (H) e neuraminidase (N).
Conforme a OMS, atualmente os subtipos de influenza A em circulação global são H1N1 e H3N2, além de diferentes variantes desses vírus, denominadas subclados, em função de alterações genéticas.
O chamado gripe K corresponde a um subclado do H3N2 oficialmente identificado como J.2.4.1. Essas mutações fazem parte da evolução esperada do vírus, o que justifica a atualização anual na composição das vacinas.
Onde a gripe K está circulando?
O alerta da OMS, com base em registros do GISAID — plataforma global de sequência e identificação viral —, aponta para um aumento recente e acelerado das detecções do subclado K em várias regiões do globo.
Segundo a organização, as detecções do subclado K vêm crescendo em muitas áreas, com exceção, até o momento, da América do Sul; esses vírus tornaram-se particularmente evidentes a partir de agosto de 2025 na Austrália e na Nova Zelândia e foram identificados em mais de 34 países nos últimos seis meses.
A Organização Pan-Americana da Saúde informa que, segundo os dados mais recentes, o subtipo se expandiu rapidamente na Europa e em vários países asiáticos, onde representa parcela significativa dos A(H3N2) analisados.
Nos Estados Unidos e no Canadá observa-se um aumento gradual das detecções; até o momento não houve circulação equivalente na América do Sul.
Até agora, as evidências disponíveis não indicam que a gripe K provoque quadros mais graves que a gripe comum, e as autoridades locais não relataram alterações relevantes na gravidade clínica.
Quais os sintomas da gripe K?
As equipes de saúde informam que não foram identificados sinais clínicos distintos associados à variante K; por ora, os sintomas são os mesmos de uma gripe comum. Segundo o Ministério da Saúde, são:
- Febre
- Dor de garganta
- Mal-estar
- Secreção nasal
- Dor no corpo
- Tosse
- Fadiga
As vacinas protegem contra a gripe K?
Apesar das limitações nos dados sobre a eficácia específica contra a gripe K, estimativas iniciais indicam que a vacinação continua a reduzir o risco de formas graves, sobretudo entre os grupos mais vulneráveis.
A OMS afirma que, embora haja diferenças genéticas entre os vírus em circulação e as cepas incluídas nas vacinas, a dose sazonal ainda pode conferir proteção; espera-se que a vacinação previna desfechos graves e continue sendo uma das medidas de saúde pública mais eficazes.
De acordo com a organização, a composição atual da vacina mostrou eficácia estimada entre 70% e 75% na prevenção de internações entre crianças de 2 a 17 anos, e entre 30% e 40% entre os adultos.







