A experiência de criar uma conta e se deparar com exigências de combinações intrincadas de maiúsculas, números e símbolos, que logo caem no esquecimento, é comum para muita gente. No entanto, essa complexidade forçada pode proteger menos uma conta do que uma simples sequência de palavras mais longa.
No campo da segurança digital, a perspectiva está mudando: hoje, especialistas defendem que o comprimento de uma senha importa mais do que sua complexidade estrutural.
O que torna uma frase longa mais segura?
A força de uma senha não se mede apenas por quão incomum ela parece, mas pelo número total de tentativas que uma máquina precisaria fazer para adivinhá-la. Esse conceito é conhecido como entropia.
É comum as pessoas escolherem senhas curtas, trocando letras por caracteres especiais, como um “a” por “@”. O problema é que os softwares de ataque por força bruta, usados para testar milhões de combinações por segundo, já estão programados para reconhecer essas substituições previsíveis.
Para ilustrar a diferença no tempo necessário para quebrar uma senha, veja estes dois exemplos:
- A senha curta “complexa”: Pa$$w0rd (8 caracteres). Apesar de usar símbolos e números, um computador moderno pode comprometê-la em minutos ou até segundos, dependendo do poder de processamento.
- A frase longa e simples: casa-batata-azul-ventilador (25 caracteres). Mesmo sem usar nenhum caractere “especial”, o universo de combinações para uma sequência desse tamanho é tão vasto que as tecnologias atuais levariam séculos para decifrá-la.
Medidas para aumentar a segurança de senhas e contas
Proteger informações pessoais de acessos não autorizados não exige criar senhas que pareçam linguagens alienígenas. Algumas orientações práticas, apoiadas por especialistas em proteção de dados, são suficientes:
- A regra dos 12 caracteres: Use senhas ou frases com pelo menos 12 caracteres. Quanto maior o comprimento, mais difícil fica a ação de invasores.
- Use separadores: Quando o sistema permitir, utilize espaços ou hífens. Isso facilita a memorização e adiciona uma camada extra de complexidade sem esforço.
- Evite reutilizar: Nunca use a mesma senha para sua conta bancária e para uma rede social. Se um serviço for violado, todas as outras contas ficarão igualmente vulneráveis.
- Considere gerenciadores: Aplicativos como Bitwarden ou 1Password podem criar e guardar senhas seguras automaticamente, poupando você de memorizar dezenas de códigos. Geradores aleatórios confiáveis também podem ser usados para criar sequências iniciais.
Os diferentes degraus da proteção
Para ajudar a entender os níveis de segurança, segue um guia rápido de classificação:
- Nível 1 (Frágil): 12345678 ou senhabrasil.
- Situação: Comprometida instantaneamente por qualquer software básico de ataque.
- Nível 2 (Moderada): Brasil@2024.
- Situação: Quebrada em minutos por ataques de dicionário, que testam palavras comuns e datas.
- Nível 3 (Robusta): B7#r@$1L!.
- Situação: Difícil de memorizar e, mesmo parecendo forte, pode cair após alguns dias de processamento intensivo.
- Nível 4 (Inexpugnável): meu-carro-e-azul-e-velho.
- Situação: Fácil de lembrar e exigiria milênios para ser descoberta. Representa o padrão máximo de proteção atualmente.
A lição é clara: da próxima vez que precisar criar uma senha, priorize o comprimento em vez de tentar ser excessivamente “criativo” com símbolos complicados. No mundo da segurança digital, o tamanho realmente faz a diferença.







