Recentemente, uma jornalista da BBC, Zoe Kleinman, recebeu um presente inusitado durante as festas de fim de ano: um livro que leva seu nome na capa, mas que foi escrito inteiramente por inteligência artificial (IA). O título, “Tech-Splaining for Dummies”, oferece uma leitura divertida, mas também suscita preocupações sobre o futuro da criatividade na era digital.
O que torna esse livro tão singular é que ele foi gerado com base em informações de Kleinman, coletadas por uma amiga que o encomendou. Embora a leitura tenha momentos engraçados, a obra apresenta um estilo prolixo e repetitivo, além de conter várias imprecisões, evidenciando as limitações atuais da IA.
A tecnologia atual permite que diversas empresas ofereçam serviços de redação de livros por meio de IA, como é o caso da BookByAnyone, onde Kleinman obteve seu exemplar. O CEO da empresa, Adir Mashiach, relata que desde junho de 2024, cerca de 150 mil exemplares personalizadas foram vendidos, destacando a crescente demanda por esse tipo de conteúdo gerado por máquinas.
Apesar de o livro ser uma forma criativa e humorística de interação com a IA, levanta sérias questões sobre direitos autorais e a autenticidade do trabalho criativo. Kleinman observa que, embora os direitos autorais pertençam à empresa que produziu a obra, isso pode criar uma prática problemática, onde qualquer pessoa pode potencialmente criar um livro em nome de outra, incluindo celebridades.
Além disso, a IA frequentemente se baseia em dados coletados sem permissão. A questão sobre o uso de conteúdos criativos para treinar modelos de IA tem gerado debate entre escritores, músicos e artistas, com preocupações sobre a proteção de suas obras. Ed Newton-Rex, fundador da organização Fairly Trained, destaca que o uso da IA deve respeitar os direitos dos criadores e evitar o uso indevido de suas obras.
Enquanto Kleinman reflete sobre sua experiência com o livro gerado por IA, fica clara a tensão entre a inovação tecnológica e a preservação do trabalho humano. Embora a escritora não tenha a intenção de publicar um best-seller gerado por máquinas, a rápida evolução da inteligência artificial levanta questões sobre qual será o futuro da produção criativa.
O fenômeno gerado pela IA se espalha além dos livros. Historicamente, redes sociais também testemunharam a viralização de canções geradas por IA, além de diversas ações judiciais em curso contra as empresas que utilizam obras criativas sem autorização. Essa realidade enfatiza a necessidade de regulamentação e ética no uso dessas tecnologias.
Embora a aplicação da inteligência artificial traga oportunidades criativas, ela também deixa profissionais do setor em alerta, questionando o que pode significar para suas carreiras no futuro. A era digital traz desafios únicos, e a discussão sobre a interseção entre criatividade humana e inteligência artificial continua a evoluir.






