O Espírito Santo vai muito além da famosa moqueca e dos litorais ensolarados. Quando a noite cai, uma faceta diferente da história local surge, repleta de narrativas fantasmagóricas, eventos trágicos e locais onde o silêncio parece ganhar voz.
Para quem aprecia um bom arrepio e histórias de aparições, este guia de turismo sobrenatural revela uma nova perspectiva sobre alguns pontos icônicos do estado.
O Fantasma da Boemia: Maria Tomba-Homem (Centro de Vitória)
Caminhar pelas ruas históricas do Centro de Vitória após o anoitecer pode fazer você sentir a presença daquela que era considerada a protetora da vida boêmia da cidade. Maria Tomba-Homem é mais do que uma lenda; ela foi uma pessoa real. Conhecida por sua personalidade forte e por usar calças (um ato escandaloso para a época), ela impunha ordem nos cabarés e no meio da malandragem da capital entre as décadas de 1940 e 1960.
A Lenda: Dizem que seu espírito ainda perambula pelas escadarias e vielas do Centro, defendendo as profissionais do sexo e apavorando homens desrespeitosos. Há relatos de vultos e do eco de risadas altas nos antigos endereços dos bares que ela costumava frequentar.
A “Ilha do Medo”: O Hospital da Ilha da Pólvora (Vitória)
Ao navegar pela baía de Vitória, avista-se uma estrutura em ruínas dominada pela vegetação. Ali funcionava o Hospital de Isolamento Osvaldo Monteiro, destinado ao tratamento de pacientes com tuberculose e hanseníase no passado. Para muitos deles, a transferência para a ilha significava uma viagem sem volta.
O Mistério: Batizada de “Ilha do Medo”, a área conserva uma atmosfera pesada, marcada pelo sofrimento e pela morte de centenas de pessoas. Turistas e praticantes de airsoft (que hoje usam as ruínas) relatam ouvir sussurros, passos e ver formas sombrias nos corredores abertos, mesmo quando estão sozinhos no local.
O Castelo Misterioso da Barra do Jucu (Vila Velha)
Na tranquila Barra do Jucu, uma construção peculiar se destaca contra o céu. É um castelo erguido à mão, feito com materiais reciclados e uma arquitetura que lembra produções cinematográficas de fantasia sombria.
A História: A construção é uma obra de arte sustentável, mas sua estética gótica e a localização isolada à beira-mar alimentam o folclore regional. Embora sirva de residência e espaço criativo, o ar de “casa abandonada” e as esculturas exóticas de sucata criam o ambiente perfeito para o surgimento de lendas urbanas sobre o que acontece em seu interior.
As Ruínas da Insurreição do Queimado (Serra)
Este é, possivelmente, o ponto de maior peso histórico em todo o estado. As ruínas da Igreja de São José do Queimado foram o cenário de uma promessa de liberdade traída, que desencadeou uma revolta violenta de pessoas escravizadas em 1849.
A Experiência: Visitar as ruínas durante o dia é uma verdadeira aula de história. À noite, porém, o silêncio se torna opressivo. Coletivos organizam a “Caminhada Noturna dos Zumbis Contemporâneos”, um evento que mistura tributo e suspense, onde muitos participantes afirmam sentir a presença e a agonia daqueles que lutaram e perderam a vida no local. É um terreno sagrado e, para muitos, espiritualmente carregado.







