23 de janeiro de 2026
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Brasil bate recorde de passageiros em voos internacionais

Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil bateu recorde no número de passageiros em voos internacionais com partida ou chegada no país, considerando os primeiros onze meses do ano. Entre janeiro e novembro de 2025, mais de 25 milhões de pessoas usaram essas rotas, o maior volume desde o início da série histórica da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 2000.

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As conexões entre Brasil e Argentina se destacaram, transportando mais de 4,12 milhões de pessoas. Esse volume quase igualou o tráfego com os Estados Unidos (4,15 milhões), país que costuma liderar o ranking.

O estudo, feito pela Folha com dados do órgão regulador, considera rotas regulares com pelo menos 400 passageiros pagantes por ano, incluindo embarques e desembarques. Passageiros em voos que apenas fazem escala no Brasil sem passar pela imigração foram excluídos da contagem.

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Salto no tráfego com a Argentina

O movimento aéreo com origem ou destino na Argentina registrou um crescimento expressivo de 42% na comparação com o mesmo período do ano anterior, o que representa 1,2 milhão de viajantes a mais nessa rota.

Enquanto os preços altos no país vizinho desencorajaram turistas brasileiros, o cenário inverso ocorreu aqui. Com o real desvalorizado frente ao dólar e ao peso argentino, hospedagem, alimentação e serviços ficaram mais acessíveis para estrangeiros.

Nos primeiros onze meses de 2025, a Argentina foi a principal fonte de turistas para o Brasil, com 3,1 milhões de visitantes, um aumento de 82% em relação a 2024, segundo dados da Embratur.

Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, aponta que o crescimento no fluxo resulta dos preços mais competitivos do setor turístico brasileiro, se comparados aos de Estados Unidos e Europa. Ele ressalta que hotéis, alimentação e serviços no Brasil se tornaram mais atrativos em dólar.

O especialista complementa que o custo das passagens aéreas e a proximidade entre os idiomas português e espanhol também pesam na escolha dos argentinos.

Experiências de viajantes

A pesquisadora argentina Paula Teijeiro, de 39 anos, viajou com a família para Florianópolis. A escolha se deu pela busca de um destino confortável para viajar com seu bebê de um ano, aliado a preços considerados razoáveis e à beleza das praias.

Ela conta que a viagem saiu mais barata do que um verão no litoral argentino. Mesmo com a possibilidade de ficar na casa de parentes e economizar com aluguel, outros gastos seriam mais altos e a qualidade da praia, inferior às brasileiras.

A motorista de aplicativo Veronica Maer, de 43 anos, também aproveitou a valorização do peso para visitar o irmão em São José dos Campos (SP) e estender a viagem até Búzios para o Carnaval de 2025.

Ela comenta que, após ter visitado o Brasil na década de 1990 em uma situação cambial parecida, percebeu muitos conterrâneos viajando pelo mundo nos últimos dois anos para aproveitar o câmbio favorável.

Cenário para 2026 e expansão das rotas

Após uma série de desvalorizações do peso em 2025, passar o verão no Brasil pode ficar um pouco mais caro em 2026. Estimativas do Instituto de Economia da Uade sugerem que uma família argentina precisará desembolsar o equivalente a 3,7 salários mínimos para cobrir transporte e hospedagem no Rio de Janeiro, contra 3,5 no verão anterior. Apesar do aumento, o custo segue inferior ao de destinos como Cariló ou Pinamar.

As companhias aéreas brasileiras mantêm expectativas positivas em relação ao mercado argentino para o ano. A Gol anunciou o retorno dos voos sazonais de Guarulhos para Bariloche no inverno, além de inaugurar uma nova rota para Ushuaia, na Patagônia, durante as férias da estação.

Em dezembro de 2025, a Gol operava 21 rotas entre Brasil e Argentina, servindo quatro destinos e cinco aeroportos no país vizinho: Buenos Aires (Ezeiza e Aeroparque), Mendoza, Córdoba e Rosário. Esses destinos são conectados a 12 capitais brasileiras e a Porto Seguro (BA). A empresa projeta que 25% de sua malha seja internacional até 2029, ante os atuais 18%.

A Latam, por sua vez, inaugurou duas novas rotas no fim do ano: uma ligando Guarulhos a Rosário, com quatro voos semanais, e outra conectando Florianópolis a Buenos Aires (Ezeiza), com sete frequências semanais. Ao longo de 2025, a companhia já havia lançado outras conexões entre os dois países e planeja operar voos entre Guarulhos e Bariloche no próximo inverno.

Com participação menor no mercado argentino, a Azul operou rotas sazonais entre junho e agosto de 2025 para Bariloche e Mendoza a partir de diferentes cidades brasileiras. A empresa informou que as rotas tiveram boa ocupação e espera mantê-las em 2026.

Potencial e desafios do turismo

Adalberto Febeliano, especialista em aviação civil, avalia que, mesmo com um cenário mais favorável, o potencial turístico do Brasil ainda não é totalmente explorado. Ele argumenta que não basta ter uma praia excelente se não houver infraestrutura hoteleira adequada e confortável.

Ele destaca a importância dos países latino-americanos para o turismo brasileiro, apesar de não serem os maiores mercados. A proximidade geográfica e cultural, aliada a viagens mais curtas e baratas, facilita o deslocamento entre essas nações quando comparado a destinos distantes como Paris.

De modo geral, o Brasil ampliou sua oferta de rotas internacionais, que totalizaram 180 até novembro, patamar equivalente ao de 2018. Nos primeiros onze meses de 2025, voos conectavam o Brasil a 34 países, número que, embora abaixo do recorde de 40 registrado em 2015 e 2016, vem crescendo anualmente no período pós-pandemia.

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